Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

25.1.05

Mudei de sexo



É quase verdade. Aliás, é meia-verdade. Descobri o quanto pode ser divertido/dramático ser uma mulher no Orkut. Até perdi o tesão em escrever nesse espaço, de tão maravilhoso que é observar a insofismável estupidez humana do ponto de vista antropológico.

Vocês não podem imaginar o quanto é engraçado conversar com os homens, e perceber o seguinte: a cantada masculina é uma merda e apenas a escumalha dos losers é que fica mendigando atenção via ICQ/MSN/AIM.

A estupidez costuma variar:

01. o rapidinho: o cara já chega mandando letra, pede pra conversar via webcam e já quer marcar pra sair.

02. o seletivo: só conversa se tiver foto. Geralmente, esses são os mais galinhas: só querer gastar tempo com quem for bonita. Te chama de "metida" ou "marrenta" se você não mandar a porra da foto.

03. o falso amigo: ele chega de mansinho, diz que quer se amigo e começa a mandar letra. Finge ser um ombro amigo, pra descobrir as intimidades e fraquezas da moça;

04. o adolescente: se comunica num dialeto intraduzível e ininteligível. Acha que vai comer alguém dizendo que fuma maconh.

05. o nerd: acha que vai comer alguém ao dizer que estudou Perl.

06. o tiozão: geralmente é um camarada com mais de trinta, que se faz de experiente e quer dar lições de vida. Geralmente, tem um emprego merda, como guia-turístico, escritor, músico ou professor.

07. o celebridade: é um zé-ruela que tem um site/blog/flog muito visitado e acha que essa popularidade é suficiente para ele estar acima dos outros, embora tudo isso seja uma ilusão. Gosta de contar vantagem da quantidade de amigos no Orkut;

Que eu me lembre, o tipo de zé-manés é esse. Se lembrar, digo mais. Quero a opinião das moças pra confirmar, corrigir ou acrescentar essa lista.

Beijunda.

PS: Não digo a minha identidade feminina.

5.1.05

fazendo o meu merchand



Tirei férias, cambada. Férias. Férias. Essa palavrinha santa jamais existiu em meu dicionário em épocas de adevogado-empregadinho, em que eu era tratado como um cachorro por um chefe idem. Aproveitei e gastei um pouco do meu suado dinheiro, tirado de forma inglória de velhotes, mendigos, sapatões e malucos.

Fiz uma social com o pessoal lá de casa. Levei geral pra passar o fim de ano no Meridien. Não ia deixar minha mãe na praia, correndo o risco de se infectar com a pereba e a conjutivite dessa gentalha que migra para Copacabana nessa feliz época.

O pessoal comeu bem, e como minha família é de gente educada, ninguém fez vexame ao encher a cara. Isso é coisa de pobre, que entope as privadas com o vômito, que faz escândalo, essas merdas que decorrem do fraco metabolismo dos gentios.

A queima de fogos foi bonita. Lá do alto, tudo era calmo e lindo. Ao olhar pra baixo, vi uma nuvem de fumaça sufocando a patuléia. Pensei que fosse o final dos tempos, e que todos aqueles que estragam nossas praias com seus barquinhos de macumba estavam sendo punidos, mas era apenas um defeito de fabricação dos fogos argentinos. Ninguém merece, já dizia o populacho.

Aproveitando que estava na Atlântica, visitei um antigo colega de faculdade (já fazem 7 anos que me formei. Como o tempo passa). Não lembro o nome do filho da puta. Só sei o apelido. "Verme".

Antes de contar o meu encontro com o Verme, é necessário apresentar esse novo personagem, versão 2005, aos meus amiguinhos imaginários:
Verme tem esse apelido porque é um inútil que vive da renda de seus pais milionários que moram em Nova Iorque. Ele fica sozinho num apê da Atlântica, vadiando e comendo empregadinhas. O cara é simplesmente viciado numa Severina.

Ele até tem um método de sedução. Quando dá umas 11:30-12:00, que é a hora de almoço da peãozada, Verme faz uma social na portaria, pra ficar de olho no pessoal. Quando passa uma celetista, o camarada manda um papo de "vamos tomar um ponche vendo o mar", e ele leva a coitada pro seu apê, exibe pra pobre a vista maravilhosa da Baía de Guanabara e depois dá um porre de ponche com frutas pra Severina.

O hilário é a forma como ele pressiona a criatura a encher a cara. Com um olhar pervertido e sua voz entre fina e débil, ele repete diversas vezes:

- Come frutinha. Come frutinha! Come frutinha. Come frutinha! Come frutinha. Come frutinha!

Depois, ele parte pra pro bate-saco. Mas não é uma foda qualquer. Ele transa com amor. Beija na boca e chupa xoxota, essas coisas de casalzinho.

Pois bem, voltando ao assunto: encontrei o Verme de sunga, abraçando duas empregadas, que se empanturravam de panetone e, obviamente, do ponche com frutinha.

Tem gente que não muda....