Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

4.7.05

Será que ele é?



Dia desses, tive o desprazer de reencontrar um antigo colega da faculdade: o Roberto.

Roberto era aquele típico cdf que "faz fichamento", não empresta o caderno e ainda por cima não dá cola. Nem mesmo para mim, que lhe adiantei 20 reais (que ele nunca pagou), naqueles felizes tempos em que o medo não tinha vencido a esperança, e todos, inocentes tal qual virgens, acreditavam na "filosofia" petista.

Esse meu colega dos bancos universitários sempre despertou uma polêmica entre a turma: como desmunhecava demais e ainda falava de jeito "exuberante", era tido por todos como viado.

Não era só por isso: Roberto gostava de ser chamado como Bob, o que é altamente viadesco e, para meu espanto e horror, sempre assistia as aulas acompanhado de um pacote de lencinhos de papel e uma garrafinha de água, que ele mamava lascivamente e tentando não revirar os olhinhos.

A partir desses fatos, o cara virou lenda. Diziam que ele foi visto numa dessas festas techno se pegando com outro viado. Diziam que ele era apenas uma espécie similar de fresco, o chamado "filho-único-de-pais-velhos", que é aquele rapazola que é tão mimado que perde sua virilidade, sem, contudo, perder a sua macheza.

Até disseram que ele já teve uma namorada, uma tijucana com fama de boqueteira, que ele conheceu numa dessas micaretas da vida.

Se o cara era viado, eu não sei. Como eu não gostava da figura, sempre fui adepto da corrente que entendia no seu jeito alegre e desmunhecado um sério indício de viadagem.

Não só isso. Espalhei o boato que ele se travestia de Madonna e a dublava num daqueles inferninhos da Prado Júnior. Baseei minha mentira num fato verdadeiro: o cara quase não tinha pêlo na perna. Eu dizia que isso era por causa do seu segundo trabalho.

Independentemente de qual seja a verdade, a qual nunca saberemos, só posso afirmar uma coisa: faltava a Bob um amigo. Um amigo que lhe desse um pescotapa e dissesse "porra, toma jeito de homem. Usar lencinho de papel é muito bichice", ou, em caso afirmativo de baitolice: "Bambi, mantenha o respeito".