Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

15.6.05

Grandes merda ser adevogado



A frase acima, um marco que decorre do já antológico "trote da Telerj", em que o advogado Luis Pareto é afrontado por uma rapaziada imberbe, demonstra bem o conceito que nossa sociedade, pós-Nova República e pós-desencanto com o PT, guarda em seus coracoezinhos em relacao à honrosa classe dos causídicos.

Digo isso por um motivo: após uma vitóriosa turnê em um país de origem anglo-saxônica, em que ajudei a defender um artista supostamente afro-americano que teria supostamente uma atração por crianças, fetos e similares, vejo que meu reconhecido talento jurídico, embora reconhecido pelos povos de lá, não é tão festejado perante nossa patuléia terceirobundista.

Qual a prova? Digo logo: voltando do trabalho, após um cansativo dia de trabalho em que o desodorante é sugado pelo suvaco, sou interpelado, no diminuto hall do meu prédio (que só serve para encoxar as empregadas domésticas no final do expediente), por um vizinho, aposentado que tem como única razão de viver pentelhar a espécie humana, enquanto espera o dia em que sua alma seja buscada pelo coisa-ruim.

O viado me fez uma pergunta besta, daquelas que qualquer estagiário de escritório da Presidente Vargas sabe. Simplesmente, citei um artigo de lei que fundamentava a minha resposta e me despedi do sujeito.

O cara me segurou pelo braço e disse que eu estava errado. Que ele tinha pesquisado no Gúgli (fazendo mímica de digitar), e que havia um entendimento diferente do meu.

Veja só. O cara queria enfrentar meus conhecimentos juridicos com o Google. Tudo bem que eu nao sei porra nenhuma, mas usar uma pagina de internet pra dizer que sabe mais Direito do que eu é sacanagem.

Já estava puto da vida com aquele porra segurando o meu braço e esbravendo. MInha vontade era de dar-lhe um mata-leao e meter-lhe a carteira, a titulo de cobranca de honorarios.

Contudo, fiz o que achei ser mais certo: lembrei ao velhote que meus conhecimentos juridicos ja lhe foram uteis, quando livrei seu filho, um estudante de arquitetura esquisito e maconheiro (perdao pelo triplo pleonasmo) de entrar em cana pelo art. 12.

O velho abaixou a voz, sorriu amarelo e disse que ia mandar uma garrafada de presente pra mim. Encerrou-se o assunto.

Moral da estória: sempre lembre a um filho da puta que ele lhe deve um favor.