Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

25.6.05

Contra-arrazoando o Código Da Vinci



Meu modesto texto apontando os erros sobre o Código da Vinci gerou muita celeuma, gritaria e arrancar de cabelos entre meus igualmente modestos leitores. Houve quem defendesse minha interpretação, como quem, como o Zé Roberto (a quem chamarei intimamente de Bob) teimou em, ferozmente, atacar este que vos escreve, bem como incendiar vilarejos, estuprar crianças e saquear os mortos.

Contudo, apesar de suas ranhetices e manhas, ele apresentou algumas afirmações, as quais eu, apesar de "jogar pra galera e tirar onda de gostoso", contra-arrazoarei e mostrarei a supremacia do bem sobre o mal, tal qual aprendemos nos doces romances de Alexandre Dumas:

1. O tiro não foi no peito, foi na barriga. Demora-se horas pra morrer com um tiro na barriga. Os quebra-cabeças já eram a especialidade do velho, que tinha uma boa motivação para arranjá-los antes de morrer.

Resposta: o tiro foi na barriga, reconheço. Mas dá uma olhada no livro, se você realmente o leu: o narrador afirma que ele sobreviveria , no máximo, uns quinze minutos, até que os ácidos estomacais o envenenasse. E, apesar dele ser chegado a um enigma, fazer aquela palhaçada toda de esconder segredos atrás de um quadro, ficar pelado e escrever bobagens com sangue no chão, você há de convir, só é crível na cabeça de uma secretária.

2. Não. O livro diz que o Jesus Cristo _como filho de Deus_ era uma invenção da igreja. Segundo o livro, Jesus seria uma pessoa normal, sem poderes divinos, embora com muito carisma e poder de mobilização da massa. Seus poderes divinos teriam sido uma manobra da igreja para se vincular a Deus e se posicionar como único caminho para chegar a ele. Maria Madalena nunca foi colocada como divindade, mas como uma mulher forte dentre os seguidores de Jesus, talvez a figura mais forte dentre os discípulos e com forte poder de influência sobre Jesus (...) .

Resposta: Lê de novo o livro e depois me fala. Se Jesus não era filho de Deus, porque queriam esconder o tal do sagrado/divino feminino? Se Jesus não é divino, Maria Madalena também não poderia ostentar tal qualidade.

4. Acho que teve mais a ver com respeito do que com religiosidade. Enfim, são interpretações.

Resposta: Até poderia ser isso, mas o narrador menciona que algo como que "a jornada ao Graal é para fazer uma prece a Maria Madalena", dando um caráter religioso ao ato do herói que, embora não tenha demonstrado ao longo do livro qualquer traço de religiosidade, pratica um ato desses.

Será que se ele fosse judeu ou muçulmano ele também se ajoelharia?

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Bob, na segunda-feira você já terá assunto no ponto de ônibus para discutir com as colega.