Poder soberano
Eu sou o primogênito de uma ninhada de três homens. Até a pré-adolescência, reinei soberano perante meus irmãos, usando a força física para manter a ordem social e, obviamente, defender meus interesses pessoais enquanto pessoa humana.
Acontece que, quando os meus outros irmãos chegaram à adolescência, essa época feliz de punheta e poluções noturnas, nossos portes físicos se igualaram e, especialmente em relação ao meu irmão do meio, fiquei parecendo um fracote.
Surgiu o caos social. Minha voz ativa nunca mais funcionou. A patuléia, representada pelos mais jovens, reinou nessa bagunça.
Imagine algo como esse governo aí do PT...
Como restaurar minha autoridade? Malhar? Fazer caratê? Engrossar a minha suave e tímida voz?
Apelei para o lado mais prático e mais idiota, próprio do adolescente.
Toda vez que uma ordem minha fosse desobedecida por meus irmãos, eu enfiava a mão dentro das minhas calças, tocando as partes íntimas e retirava calmamente. Quem não cumprisse o estabelecido ganhava um abraço daquela mão suada e sebenta.
O horror, pensem vocês.
Assim, a paz voltou. A razão venceu a força.
Surgiu aí a "Doutrina da Mão de Saco", que vigora até hoje aqui em casa e nos mantém unidos e pacíficos.

