Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

23.8.04


Para tentar provar a sua dileta genitora que nao eh gay, apesar de dormir pelado com seu primo, o rapaz de barbicha abraca uma moca de trajes comportados numa badalada festa na Zona Sul do Rio. Pelo modo em que abraca a menina, percebe-se que ele nao entende do babado, pois a norma culta da etiqueta moderna exige que, em eventos como esse, o rapaz enfie sua mao por baixo da saia da dama, com o dedo medio em riste.


Chumbinho, lembrando que todo rapaz que usa barbicha eh gay, viado e sapatao, surge da penumbra e comeca a requebrar tresloucadamente. Seu sangue mulato lateja pela loira.


Porque tenho orgulho dos meus amigos: Chumbinho tenta conquistar uma falsa loira com sua danca do acasalamento, tradicao de sua tribo em Vila Kennedy, RJ. A estoria teve um final feliz. Viva o sincretismo religioso-sexual brasileiro!

14.8.04


Foto-proposta-do-sabado: o ovo esquerdo de Adamastor da Silva em close.

9.8.04

Choque de realidade: a popularidade de um flogueiro/blogueiro não vale NADA no mundo real.

Você não comerá alguém só porque tem 300 amigos no Orkut.

Sério.

É verdade.

Pode acreditar.

Náufrago



Sexta-feira. Dia feliz. Tio Ada vai pro banheiro, fazer sua tradicional turnê matutina pelas louças (pia-vaso-chuveiro) antes de ir para o escritório.

Como o ato contricional a nível de casinha exige privacidade e sossego, Adamastor,nosso herói e narrador dessa estória, se tranca no retromencionado aposento e inicia seus trabalhos.

Contudo, Ada percebe que faltava sua mousse-gel-para-barba-italiana, item indispensável para um homem moderno que tem pele boa e mora bem.

Ao girar a maçaneta, surge o espanto: a porta não abria. Tentei novamente destravar, e nada.

Estava preso.

A sorte é que meus pais e demais parentes estavam ainda em casa. Clamei por socorro e fiquei durante meia hora sendo sacaneado por todos, do meu pai, passando por minha mãe e até incluindo meu porteiro, Seu Bobinho, que não sei porque estava lá.

Depois de humilhar minha pessoa, o povo resolve chamar um chaveiro, que demora mais um tempo para chegar.

O jeito era relaxar naquele lugar, embora a tensão de ficar preso ali fosse grande. Peguei uma revista VIP( a revista cujo target são os rapazolas paulistanos, de classe A/B, cujo maior objetivo na vida é ter uma barriga tanquinho e ser descolado) e fiquei folheando, vendo o quanto os colunistas forçam para serem cariocas, cool e modernos, nessa ordem.

Levou outra meia hora. Deu pra ler a VIP, uma Info Exame sobre casemod ("Casemod: the paraiba way of life goes to computing". Adamastor da Silva, 2004) e ainda o Jornal do Commemmércio, aquela porra que suja os dedos de tinta e não tem notícia que preste.

Eu tava lendo a parte de bolsa de valores do Commemércio quando o chaveiro, um gordinho de barbicha, adentra no ambiente para me resgastar, arrebentando o trinco com um martelo de bife.

Fui flagrado sentado no bidê, com meu short Silze (aquele do Zico), tentando parecer cool, para esconder a vergonha.

O sujeito prendeu o riso, e disse que eu tava "salvo".

Respondi que só faltava ler a parte de esportes pra eu ir embora (o Commemmércio não tem seção de esportes. Tentei dar uma de humor britânico. Quando você está fodido, improvise.)

Consegui me libertar do meu cativeiro mictórico, contudo, sou motivo de chacota perante meus considerados. Daqui a pouco passa, azar.

Apesar de todo esse incidente traumático, vejo que sou sortudo. Imaginem se esse acidente ocorresse num sábado, com a família viajando e eu sozinho em casa?

Passaria o fim de semana alimentando-me de sabonetes e bebendo água da pia. Até faria amizade com o rolo de papel higiênico.

4.8.04


- Eu sou o guardiao eterno dos portais do inferno, mas pode me chamar de Marquinho_Fofo_RJ


De que adianta a cara de mau, se a estupidez transcende a alma?


So' quem teve sua infancia enriquecida pela presenca de Mussum entende a beleza da existencia e consegue superar as vicissitudes incomensuraveis da existencia adulta. Eh por essas e outras que eu chamo a Avenida Presidente Antonio Carlos, no Centro do Rio, de "Avenida Presidente Mussum".


O primata observa sua presa. O primitivo sentimento de destruicao prevaleceria sobre o engenho humano, traduzido numa camera digital?

3.8.04


Foi mal ae, galerinha. To muito ocupado com meus contexto de estudo. Altas paradas. Naum eh brincadeira naum. Direito constitucional eh a ciencia das pessoas que nao fodem.