Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

30.4.04

Lucas



Lucas não aguentava mais aquele simpósio sobre o Novo Código Civil. Aliás, não aguentava mesmo era aquele palestrante, um desembargador conhecido e festejado, com 12 livros chatíssimos no currículo, e uma capacidade fora do comum de dizer merda, mas como se fosse a mais pura sabedoria.

Mas o pior não era ouvir aquela babaquice toda. Era olhar pra cara da platéia, e ver aquela cambada de imbecis, embevecida, sorrindo, aplaudindo e transcrevendo toda a incomensurável merda que aquele infeliz proferia.

Nesse momento, em que percebeu a estupidez humana, Lucas sentiu pânico. Teve vontade de se levantar da platéia, de rompante, tomar o microfone daquele bostinha e proferir essas virulentas palavras:

"Seus filhos duma puta. Vocês gastaram 100 reais pra vir aqui e ouvir esse grandissíssimo corno falando merda? Será que vocês, cambada de filhos da puta, não estão percebendo que esse boçal entende de direito menos do que um ajudante de pedreiro? Será que vocês, seus pulhas, nunca abriram a porra de um livro de Direito? MInha vontade é de urinar em vocês, cambada de fudidos! Aonde já se viu prestigiar esse merda? Até quando vocês serão enganados? Até quando esse imbecil rirá de sua ignorância?".

Depois de repassar mentalmente esse discurso, Lucas respirou fundo e meditou. Não era bem isso que lhe incomodava.

Levantou-se da cadeira e, ao invés de fazer seu manifesto apaixonado, foi ao banheiro soltar a cueca do cu.

Otávio



Um dia, Otávio percebeu a realidade aterradora: ninguém se preocupava com a quantidade de visitantes em seu blog.

Aliás, ninguém ligava para o que ele dizia.

Resolveu, então, fingir que não sabia, e foi estudar pra ser oficial de justiça.

débora



Nos almoços de domingo na casa da vovó, Débora era o centro das atenções.

Não só pelo seu lindo e sedoso cabelo liso, uma raridade naquela família cheia de sararás, mas, principalmente, pela desenvoltura em que a menina de cinco anos dançava na sala.

Bastava alguém colocar pra tocar alguma música de lambada que Débora, ainda que desajeitadamente, balançava o seu bumbunzinho e rebolava freneticamente, fazendo poses sensuais que deixavam a vovó orgulhosa.

- Essa minha netinha vai ser artista! Vai ser bailarina! - gritava Dona Almerinda, chamando todos os vizinhos para ver sua netinha perfomática.

Todos adoravam a dança de Débora, exceto seu avô, Nélson, que, esquecido na cozinha, murmurou profeticamente para a empregada:

- Isso aí vai ser puta.

29.4.04

Repercussões



O pessoal, tanto o que lê o blog, como os meus camaradas do mundo real, foram unânimes em afirmar que a minha ex-namorada, a que vai casar e que chorava de saudades do meu veiúdo, queria uma última sessão de vara, enquanto é solteira e a igreja católica permite que ela pule o muro.

Acontece que eu já conheço essa doidivanas há anos, e sei que, volta-e-meia, quando ela me encontrava, mandava essa letra, mas não arriava as calcinhas. Portanto, eu fiz-que-não-ouvi, porque já sei das artimanhas dessa mulher.

Além disso, como pode, uma mulher que vai casar com um camarada daqui há um mês, dizer que pensa em outro. Porra, então não casa. Volta pra putaria e libera a xota.

Ou esse casamento não vai durar muito, ou esse casal, em pouco tempo, vai começar a frequentar clubes de swing.

Vocês vão ver só.

Douglas



Douglas era o esquisitinho da galera. Era o único botafoguense e era também o único que possuía um Intelevision, aquele videogame bizarro em que o joystick era uma porrada de botões, com jogos fofos e "educativos".

Acabou sendo incluído no grupo por caridade. Geral tinha pena dele. E até o convidaram pra sessão de cinema semanal na casa do Bruninho.

Bruninho alugava um filme e passava pra galera em seu videocassete de quatro cabeças, coisa fina que o seu pai, comandante de avião, trazia dos EUA, junto com uns remédios de tarja preta e umas paradas pra cheirar que distribuía pros seus compadres enrustidos.

Douglas até que se portava direitinho, mas embirutou depois que passaram "Rambo II" numa das sessões.

Lá pelas tantas do filme, o Rambo, que poderia ter vencido a guerra do VIetnã sozinho, se não fosse tão babaca, ergueu uma pedra gigante e fez cara de sofrimento.

Douglas, repentinamente, se levantou e começou a gritar, apontando para a TV:

- O Stallone tá contraindo o cuzinho!
- O Stallone tá contraindo o cuzinho!

Jefferson, que era filho de militar e, portanto, chegado à uma intolerância, pegou o camarada pela camisa e o botou pra fora.

Depois daquele dia, nunca mais convidaram o Douglas pra ver um vídeo. E chegaram a conclusão quase unânime de que Intelevision era videogame de viado.

Jefferson votou contra.

26.4.04

tio ada comenta o evolucionismo



Não sei se vocês sabem, mas o Darwin elaborou a famosa teoria da evolução das espécies após fumar um tremendo bong responsa,daqueles que provocam um incomensurável banzo mental.

Na boa, esse papo de que o homem descende do macaco parece coisa do Bob Marley e sua comunidade de fedidos.

encontros e desencontros



Não vou mais pedir desculpa aos leitores pelo meu desaparecimento. Vocês estão usando a versão freeware-GPL-style do meu blog.

A versão Professional-without-banners-and-spywares, atualizada a cada 12 horas, sem tantas vírgulas e erros de português e com uma webcam no meu chuveiro, custa 3 dólares por mês.

Não aceito cheque nem tíque.

Outrossim, vamos a estorinha de hoje.

Meninos, fechem as pernas. Meninas, sentem direito.

Hoje eu fui almoçar com uma das minhas ex-namoradas no Centro. Aliás, A EX. Foi a paixão da minha vida, a mulher por quem esse poço de ranzinzice (?!) que sou eu suspirou e amou. Ah, também foi a mulher por quem broxei a única vez, no fatídico 15 de novembro de algum tempo atrás (mencionei esse evento tristonho no finado e hype blog "Não Fiz, e Daí?", blog este que foi a minha obra-prima).

Foi ela quem me ligou, ontem, pra marcar o almoço hoje. Fazia tempo que não nos víamos (um ano, maizomeno) e só nos falávamos por telefone. Geralmente, era só por interesse meu: ela era funcionária da Justiça Estadual e eu queria tirar umas dúvidas. Claro que também rolava uma saudade.

Ela continua bonita, cheirosa, gostosa e com belíssimos e brilhantes olhos verdes. Ao me ver, abriu um longo sorriso que deve ter arreganhado sua saudosa xota.

Levei-a pra almoçar num restaurante onde sou tratado como rei. O maitre deve ter pensado que sou um advogado importante e me trata com se fosse o príncipe do Reino da Bretanha, Algarve e Sargento Roncali.

Papo-vai-papo-vem, ela disse que iria se casar, e que, apesar disso, pensava muito em mim e nos momentos de luxúria que tivemos no Frescão. Ela adorava brincar de boquete no ônibus, ô coisinha danada.

Ela perguntou se eu me sentiria mal se fosse convidado pro desenlace, e eu falei que não, o que foi 50 % verdadeiro. Embora eu tivesse me apaixonado por ela tempos atrás, agora só restou uma vontade de espancar a sua tubiba, mas, mesmo assim, não gostaria de vê-la casada com um cara mais feio do que eu.

Disse que, mesmo casando com o cara, iria sempre pessar na nossa devassidão, pois seria "um pecado capital menor". E que eu até poderia levar no seu casamento uma das vadias as quais eu pego de vez em quando, embora ela dissesse que ia ficar com ciúmes.

Taí, não entendo essas mulheres modernas.

O que esse infeliz queria? Que eu virasse o Ricardão e a comesse nas tardes cinzentas e tristes do Castelo?

Que eu me sentisse triste, amargurado e solitário por ela estar se casando antes de mim?

Uma coisa eu sei: as mulheres estão sempre querendo manipular os homens.

18.4.04

Vovô Nelson



A minha obra-prima, a nível de blog, é o "Vovô Nelson virou Pó", onde são psicografadas mensagens de um velho ranzinza que morreu, foi cremado e teve seus dejetos, digo, restos mortais jogados na Lagoa.

Eu recebi a missão de psicografar essas babaquices, porque devia um dinheiro pro velhote.

O blog ainda existe, em algum lugar, mas eu aproveito a audiência desse lugar para trazer à baila algumas mensagens de amor e paz do falecido Vovô Nelson.

Se vocês gostarem, eu mando uma mensagem para ele, via sedex, e peço pra gente continuar o selviço

Toma aí:

"Meus filhos, eu cheguei bem. A água está morninha e não vejo peixe algum. Estou boiando em paz."

"Leleco, meu netinho, não chore. Vovô deixou 500 reais pra você no bolso. É só pegar"

"Quero que os meus outros netinhos não se sintam solitários. Seu vovôzinho está olhando por vocês aqui da Lagoa. Só espero que aquela árvore de natal horrorosa não tape a visão..."

"Anote o que eu vou dizer, seu puto: não existe purgatório. Tudo o que existe após a morte é essa Lagoa de merda, com esses viados remando pra lá e pra cá. Ainda bem que aquela estátua do polvo horrorosa saiu daqui. Maldita Yoko Ono!"

"Virei pó. Não tenho mais mão. Acabou-se a punheta na terceira idade. Acho que é um haikai, né?"

"Queria mesmo era uma merda de um enterro decente. Ficar na porra de um túmulo, quietinho e sossegado. Não sei quem foi o filho da puta que quis me cremar. Quem foi o viado que disse que eu queria isso? Eu quero é paz. Não quero ficar boiando nessa merdaria toda. "

"Adamastor, aquele timeco do Flamengo já foi pra Segunda Divisão? Já revelaram pro mundo que aquele guri do Titanic é viado? E aquelas 3 meninas que cantavam bonitinho, qual era mesmo os nomes delas?"

"Era um tal de Ransom, Janson, Hanson ou outra merda do tipo. Adorava aquela guriazinha que cantava e tocava um tecladinho. Pena que era muito magrinha e nem tinha peitinho. Deve ser a alimentação deles. Americano só come merda. Não foi a toa que comeram a sua mãe. Ehehehe"

"Tava brincando. É que hoje tô de excelente humor. Só ficava assim tão feliz e calmo quando ouvia as merdas que o Paiva Neto falava na TV. Dormia feliz e rindo pra caralho!

"Aquele guri é muito escroto. Conheci ele nas peladas de rua. Ele era o último a ser escolhido. Tinha canelinha fina e sempre se machucava. Tremendo péla-saco. Como não se garantia, resolveu escrever aqueles livrozinhos de merda, que ninguém entende. Aqueles analfabetos amigos dele nem deve saber o que é Grande Pátria Espiritual"

"As vezes me esqueço que tô na Lagoa e acho que me mijei todo. Tô molhadinho sempre.






17.4.04

Traumas



Eu tenho um certo trauma de poesia, trauma este que decorre, em parte, pelo fato de que todo poeta, além de mindingo, é alguém que adora se fazer de pobrezinho, infeliz e/ou sofredor. Vide Fernando Pessoa e aquele outro rapaz esquisito de bigodinho.

Mas eu tenho de confessar a vocês, criançada: grande parte do meu trauma, aliás, da minha aversão ao mundo encantando das rimas simétricas, estrofes e estribilhos vêm do Concurso de Poesia que o meu irmão do meio, o festejado Kiko, perdeu.

A estória foi a seguinte: o colégio dele, que era dirigido por um velhote metido a intelectual e a poeta, promoveu um concurso de poesia entre os alunos de todas as séries. A garotada teria de criar uma poesia e recitá-la perante a patuléia, digo, a platéia.

Meu irmão resolveu participar. Criou uma poesia bonita, recitou direitinho, mas ficou em terceiro lugar.

Em primeiro lugar, ficou uma menina, que fez uma poesia sobre traição amorosa.

Em segundo lugar, ficou um viadinho, que, obviamente, só podia falar sobre o mundo colorido de quem amar o seu igual.

Embora achasse que a poesia do meu irmão fosse melhor que a do viadinho, reconhecia a superioridade da poesia da garota, embora estranhasse que uma fedelha pudesse falar sobre algo que uma criança dificilmente compreenderia.

Pois bem, a menina venceu mesmo, e a poesia teve uma tremenda repercussão na comunidade. Chegou até mesmo a ser reproduzida na rádio local.

Bem, aí é que começaram os problemas...

Um ouvinte reconheceu a poesia vencedora: era de Vinícius de Moraes.

Aí foi uma tremenda zona. A comissão organizadora, presidida pelo intelectual babaca, foi investigar e acabou descobrindo que a filha da putinha copiou a poesia do Poetinha.

Criou-se uma incrível situação de mal-estar. Como é que aquela cambada de pseudo-intelectuais não foi reconhecer um poema do Vinícius de Morais? Que fosse do Profeta Gentileza ou do Arnaldo Antunes, mas do Poetinha, como pôde?

Uma vez desmascarada a farsa, tanto do talento da menina, quanto do conhecimento cultural da comissão, o prêmio, que era uma estátua cafona, passou para o viadinho e o seu poema igualmente florido.

Meu irmão aceitou olimpicamente a derrota, e nunca mais cometeu, digo, criou outra poesia.

A menina sumiu do colégio, e o viadinho, seguindo seu destino, tornou-se secretário da Câmara de Vereadores da cidade.

E foi isso.




13.4.04

Respondendo aos leitores



Primeiramente, peço publicamente desculpas aos meus fiéis amiguinhos do Orkut, que se sentiram

gravemente ofendidos quando disse que o retrocitado serviço internético era uma merda.

Embora não fosse a minha intenção de ofender suas pessoas e magoar seus coraçõezinhos puros, vejo que fui indelicado com vocês, que têm o desprazer de conviver com a minha pessoa.

Depois desse intróito delicado, vamos aos comentários dos leitores:


Ada, o principal vc não notou. Segundo meu namorado e vários amigos meus, as paulistas têm, na média, o corpo pior do que o das cariocas. São mais "caídas", segundo eles. É verdade isso?
Beijos

Betty

R: Betty, em minha curta estadia em São Paulo, não vi nenhuma paulista pelada, pois o único contato sexual que eu tive foi um quequete de boas-vindas.

Cuidado com o seu namorado, ele está olhando demais a carne alheia.


A internet acaba fazendo a gente arranjar amigos distantes... Se vc não se importar com meu leitE quentE e pórrrrrrrta, tem uma amiga paranaense! Hehehe...
Dani

R: Dani, pela sua fidelidade em visitar meu blog, te adicionei ao Orkut. Se o porteiro do teu prédio interfonar pra você, dizendo que tem um crioulo chamado Orkut querendo entregar uma carta, pode atender, que ele é gente boa.


veja o Orkut como um espaço pra vc conhecer seus fãs! eu tô lá. haha
Renato

R: Também sou fã do seu blog. Preciso comentar aqui uma coisa que eu li por lá, que foi um genial post sobre as mensagens subliminares gays nos clipes do Pet Shop Boys. Isso merece um longo tratado sobre a matéria.


orkut...grandes merda?
Renata M.

R: Já pedi desculpas à Vossa Senhora via email, fax e deixei um recado na secretária eletrônica. Ah, mude a senha dela. "111" é muito default .


Adamastor, apesar do seu nome ridículo, você tem um humor ácido. Gostei do blog. E tambem dos contos antigos, como o que voce estava no cabeleireiro. Beijos, nêga.
Jacinto Bauduco

R: Obrigado, mona. Volte sempre. Quando estiver por aqui, vamos ouvir um electro na Dama de Ferro. Vou chamar meus amigos Rafa/Matinas.

Lembranças de brincar no meu pc com um programa chamado Dr. Sbaitso. Tinha como ficar colocando palavras e aquela voz metálica pronunciava com um baita sotaque norte americanos. Era bacana brincar com "oo" para sair som de u, etc. Adivinha se eu não usava aquilo pra passar trotes??? Voce não é o unico nerd, Ada.
Rafael

R: Rafael, eu me lembro do Dr. Sbaitso. Era um programinha fuleiro que vinha com a Sound Blaster 16, na era em que a Creative começou a desbancar a Adlib. Ainda vinha um outro programinha ridículo, do papagaio, acho que era "Talking Parrot". Já que você usava essa inventiva ferramenta para passar trote, vejo que és dos meus. No bom sentido.


Oi ! Sabe qdo lí seu post dizendo "antes ele doq eu", fikei a pensar: Antes eu doq ele, se ele tivesse aki ainda o Rock seria um poko melhor doq esta hj e se eu tivesse morrido ao invés dele ñ teria q ver pessoas tão ingratas como vc q ñ tem a grandeza de perceber o qto o Kurt foi revolucionario para a musica...e a respeito dos caras do Hiphop e afins, Pô, eu sou rockeira mas diz ae:Oq seria do amarelo se todos gostassem do azul? Ah, e se vc quiser dar uma stressada geral, já q ñ vai com a cara do Kurt, eu fiz 17 posts no meu blog em homenagem a ele....hahahahahahahahahahaaahaha..pode me odiar se quiser, mas foi o Kurt q revolucionou a merda q era o cenario rock mundial..Se agora tá ruim, imagine se ele nunca tivesse surgido, aí sim q estaria uma droga total....Ah, e mesmo assim ainda prezo a "nossa" liberdade de expressão...Eu gosto , vc não e é assim q é a vida..ñ dá pra concordar com td mundo...Talvez esse seja o encanto da coisa.....Beijos...PâmPâm...

Pâmela RockandRoll


R: Pamela, pelo modo que você escreve, vejo que ainda é relativamente incapaz (juridicamente, claro). Quando somos novinhos, temos a falsa crença de que o mundo que nos rodeia é belo, cheio de luzes, cores, cheiros e sensações felizes que não tem fim.

Quando chegamos aos trinta, percebemos que tudo aquilo era uma imensa ilusão, e que passamos grande parte da vida acreditando numa mentira, ignorando toda a verdade que nos cercava e que gritava em nossa direção, nos alertando da idiotice que eram nossos sonhos.

Portanto, quando você chegar a essa idade, perceberá como foi ridículo usar camisa de flanela, no verão infernal carioca, pra assistir um show do Nirvana.


No mais, agradeço a todos os elogios, ofensas, ameaças de morte, propostas sexuais homoeróticas e convites para batizado.

Beijos a todos.

O Dia D



Hoje, oficialmente, é o meu Dia D. Venci a horda de furúnculos que atacou silenciosamente e ardilosamente o meu traseiro. Fiquei com uma cicatriz, o que vai interromper a minha atuação em filmes pornôs caseiros.

Agradeço a todos os meus leitores, inclusive aos que riram da minha desgraça.


Orkut? Grandes merda!



Embora tenha sido gentilmente convidado pelo rapazinho Rafa (sem link) a integrar à comunidade digital de amiguinhos Orkut, vejo que estou progredindo. Já tenho quase 20 amiguinhos.

Acho que só conheço mesmo, na verdade, um ou dois.

Com base nisso, cheguei as seguintes constatações:

1. eu não tenho amigos;

2. meus amigos (imaginários) não são nerds;

3. não existem comunidades com os mesmos interesses que eu, como os fãs do Laboratório Infantil e gente que gosta de fazer mágica em casa.

Tem gente que, ao ver a minha foto, vira a cara e me deixa falando sozinho. E que se foda.


Tio Ada vê São Paulo



Em poucas palavras, o que eu percebi de São Paulo:

1. A rixa entre cariocas e paulistas é lenda. Os paulistas admiram a sagacidade, a malandragem e o molejo do carioca.


2. O Corínthias é o Flamengo deles, i.e., é o time dos bandidos, marginais, delinquentes, contraventores e, logicamente, dos porteiros;


3. Ao cumprimentar uma paulista, só se dá um beijinho no rosto;


4. Há mais japoneses do que crioulos. Não estou falando de mulatinhos, mas de pretos, de gente puro malte escocês;


5. A garotada está usando muito aquele topetinho estilo Netinho. Tá na moda. Mudariam de penteado se soubessem que aqui no Rio é conhecido como "alça-de-boquete";


6. Não se pode tirar foto no Museu do Ipiranga. Problemas de Direitos de Imagem. Paulista não sabe divulgar o que tem de bonito;


7. As paulistas acham "engraçadinho" e "bonitinho" a sensual pronúncia carioca;


8. É impossível definir a sexualidade de um paulista. Às vezes você jura que o cara é viado, mas ele é espada e comedor, às vezes você tem certeza que o cara é macho, mas ele gosta de morder a fronha. É um povo confuso, portanto;

9. Não sabem o que é "dixavar";

10. Os paulistas não têm o nosso tradicional e ancestral costume de coçar o saco em público;

11. O metrô de São Paulo é tão confuso, tão cheio de conexões e ramificações, que nem o povo local sabe andar nele;

12. Não há ciganas na rua;

13. Há gente que usa terno nos fins de semana. E não são pastores.

14. Toda loja tem um vendedor-malandrinho-metido-a-skatista. Até as de roupa social. Deve ser alguma coisa de sindicato;

15. Não se vende tanto Alisabel quanto no Rio.




6.4.04

Léo Preto e a fonética



Eu gostava do Léo Preto, antigo guitarrista de minha banda underground.

Ele era meio metido a malandro, mas era boa gente.

Éramos amigos, mas ficamos 1 ano sem nos falar por causa da "guerra de trotes telefônicos de 1990".

A estória foi assim:

O crioulo gostava de passar trote pra minha casa quase que todo dia.

Em represália, saquei o meu antigo micro TK3000 //e, e usei um programa de text-to-speech para minha vingança. Sabendo detalhes da vida da família do sujeito, como o fato de que todos eram correntistas do Banco Banerj, planejei os fatos.

Esse programinha text-to-speech era rudimentar, mas, apesar do programa usar a fonética americana, adaptei várias palavras da língua portuguesa. Eu cheguei até a fazer um dicionário de 300 palavras. Coisa de nerd, obviamente.

Daí, liguei para o trabalho da Dona Black, a mãe do camarada, e aproximei o telefone do computador. O micro fez o resto:

alow eh dow ban ko bah nerr gee
(alô, é do Banco Banerj)

ah shua kon ta foee kan set lah dah
(a sua conta foi cancelada)

fah vorr fah lah kon se oo ge ren tee
(favor falar com o seu gerente)

A nega fez um escândalo. Xingou meia hora. DIsse coisas como "seu computador filho da puta, você tá me sacaneando! Ninguém mexe no meu dinheiro assim!"

Eu sei que deu uma merda danada na casa dos Black. Voou pena pra tudo quanto é lado, pois havia desconfiança de que a conta teria sido zerada pelo Seu Black, o patriarca, que era viciado em carteado (fato que eu não sabia e que, se soubesse, teria explorado).

A confusão só foi resolvida quando D. Black foi na agência pra falar com o gerente. Ele riu na cara dela, dizendo que o banco não tinha "terminais inteligentes com sintetização de voz".

Léo Preto viu então que era trote. E o único retardado capaz de fazer algo tão idiota e engenhoso era eu, nerd, cdf e com um computador de 8 bits e meio megarrétis.

Ele veio pra cima de mim, queria me dar porrada, mas esqueceu de um fato. Eu tinha um segurança.

Como eu era nerd, magricelo e asmático, não sobreviveria muito no mundo inóspito, selvagem e fedido da escola sem a ajuda de alguém mais forte. Por isso, fiz um pacto com o Breu, o capitão do time de basquete da escola: se ele me livrasse das brigas, eu dava cola nas matérias pra ele.

Breu afastou Léo Preto com sua mão de 17 polegadas. Perguntou se eu queria que desse uma coça nele, mas eu pedi pra poupar a vida do sujeito. Gostava do mané.

Léo Preto ficou grato com minha suprema bondade e acabou esquecendo disso. Ficamos muito amigos.

Ele parou de passar trote pra minha casa.

Eu só passava trote pra casa dele de vez em quando, porque adorava ouvir os barracos da Dona Black.

Divagações de um furunquento



O Kurt Cobain morreu? Antes ele do que eu, afinal, esse rapaz e sua turminha de grunges depressivos estragou o roquenroll.

É verdade. Graças aos rapazes fedidos de Seattle, o rock virou uma coisa tão tristinha e chatinha que deu margem para ser abandonado.

Com esse "apagamento do rock", houve a ascensão do hip-hop e esses manés-de-camisa-de-time-de-basquete-com-correntes-de-ouro-e-crioulas-bundudas-e-letras-de-música-que-fazem-um-inventário-de-seus-bens.

Graças ao Kurt, o mainstream tá essa merda que vocês tão ouvindo.


4.4.04

diário de um furúnculo



Criançada, agora seria o momento para eu contar as minhas aventuras na cidade da galera que curte um "xaveco", mas a força dos micróbios da Mãe Natureza foi cruel e me colocou de cama, mais precisamente na posição de bruços, graças a um furúnculo gigante que atacou a banda esquerda da (acho que é, sou meio retardado para diferenciar esquerdo/direito) minha máscula e peluda bunda .

O que eu relatei há alguns dias foi verdade mesmo. Não foi aquela tradiçãozinha besta de 1o. de abril, em que as pessoas relatam coisas idiotas em seus sites (lembrem-se sempre da antiga estorinha do "Pedrinho e o Lobo". Um alarme falso pode custar o seu anelzinho de couro).

Na quarta-feira à noite, após chegar em casa, vindo de um simpático vôo da Varig, em que fui ladeado por um yuppie paulista e uma gorda asmática, notei algo que seria um calo vermelho na minha bunda (antes que alguém pergunte como consegui realizar essa acrobática operação, aviso que usei meu espelhinho de bolso, afinal, sou metrossexual).

Na quinta-feira cedo marquei consulta com meu primo- judeu-dermatologista-milionário-das-estrelas (o filho da puta me cobrou 200 pratas pra apertar a minha bunda. Porra, por essa quantia eu poderia ter ganho uma chupetinha kosher!).

Ele riu da minha cara meia hora e ainda insinuou que eu teria puxado a parte campineira da família, que curte muito o amor que não ousa dizer o nome.

Fiquei quieto, afinal, quem tem o cu examinado não pode se dar ao luxo de sacanear o médico, porém, por vingança, paguei o infeliz com um cheque-pré pro final do mês.

Ele me indicou meia dúzia de antibióticos. Todo caso, pedi pra ele umas metanfetaminas, pra dar "dixavada" na parada.

Resultado: estou com um buraco do tamanho de uma moeda de 50 centavos, com a profundidade de pelo menos 1 cm. É como se eu tivesse dois furingos, que batizei prontamente de Phobos e Deimos, graças aos efeitos lisérgicos desses meus novos remedinhos

Embora meu primo tenha suspeitado da minha sexualidade (não contei pra ele que andei comendo a sua filha: feia, mas boa de corpo), aviso aos meus poucos e fiéis leitores que esse meu furúnculo na bunda não é uma prova irrefragável da minha recôndida homossexualidade.

Não sou viado, porra.

Fiquei ressabiado sobre o motivo de furúnculo em minhas partes íntimas. Seria alguma vingança dos Céus? Procurei no Google e vi a seguinte explicação sobre a origem dessa odiosa praga num site de quem entende de bunda, a Joana Prado:

"O furúnculo é uma infecção aguda dos folículos pilosos e do tecido que fica logo embaixo da pele. A infecção causada por germes, caracteriza-se por um núcleo central avermelhado, quente, doloroso, que algumas vezes pode apresentar coceira e pode surgir em qualquer parte do corpo que haja pêlos, principalmente nas regiões de maior atrito como as axilas, nádegas, pescoço, seios e rosto.

O furúnculo pode regredir espontaneamente ou evoluir em algumas horas ou dias, apresentando pus. Depois de aproximadamente uma semana, a pele se rompe, deixa sair o pus e o miolo do furúnculo (composto por células e germes mortos, secreções e sangue), eliminando desse modo a infecção e podendo deixar cicatriz no local
".

Senti-me profundamente aliviado ao ler essa explicação, que mostrou que esse problema é apenas um bug. Uma dessas porras que o corpo humano inventa de vez em quando pra foder a paciência da gente,aliás, esse texto da Joana é tão bom que diversos sites sobre o furúnculo o reproduziram , mas sem dar o devido crédito à esposa do Vitor Belfode.

Escrevo esse texto de hoje em pé, pois meu popozão está incrivelmente vermelho e dolorido.

Apenas fiz esse relato em homenagem aos meus fiéis leitores e a todos aqueles que sofrem silenciosamente os malefícios do furúnculo.

Levantem-se, irmãos, furunquentos.

Keflex os libertará!




1.4.04

Aviso fúnebre



Embora a data de hoje seja dedicada à mentira, gostaria de informar aos meus fiéis leitores que estou com um furúnculo na banda esquerda-posterior da bunda, adquirido em minha recente visita à Terra da Garoa, o que me obriga a dormir de bruços.

Antes que alguém pergunte, informo que não cedi meu pavilhão furingular.

Se tudo ocorrer nos conformes, amanhã eu atualizo esse simpático blog.

Grato,

Adamastor Rogério da Silva