Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

31.1.04

O preconceito em face do anel que não ousa dizer o seu nome



Deu pano pra manga as revelações acerca da homossexualidade de Frodo e a gurizada feliz da Terra do Dedo Médio.

Enquanto que os leitores do blog concordaram com minha tese, li no blog do Rafa o seguinte comentário raivoso, antisemita e antisséptico:

"1) Eles não podem ser viados, porque não são homens, são hobbits.

2) Mesmo se fossem homens, conseguir ver algo mais na amizade carinhosa deles é que é coisa de viado.

3) Macho que é macho tá pouco se fudendo pra sexualidade alheia. Ainda mais quando os alheios em questão são personagens de ficção.

Assinado: Tsc."

Preliminarmente, vê-se que o ofensor não teve coragem de identificar-se e fornecer um email ou um comprovante de residência. Nessas horas, invoco sempre as sábias palavras de Genival Lacerda: "o anonimato é a arma dos covardes".

Uma vez demonstrada a covardia do rapazola, passemos a exteriorização de sua ignorância, na ordem que se segue:

1) a manja-rolice não é exclusiva da espécie humana. Existem macacos viados, sapos viados, pássaros viados e, acredite, arquitetos viados.

2) não existe amizade carinhosa entre homens heterossexuais. Homens machos não ficam aconchegados no mato, comparando a doçura de sua amizade à de uma taça de morangos com creme, tal qual fizeram Frodo e o Rudolph (ou BIro-Biro, que seja). Além disso, o fato de alguém identificar a viadice dos supracitados rapazotes não significa que também gostem do babado forte. Não há qualquer base legal, jurídica, cultural e religiosa para essa assertiva.

3) Macho que é macho, além de assinar o que escreve (o que não é o seu caso), sempre se preocupa em chamar alguém de viado. Principalmente aquele atorzinho de novela que nossas namoradas acham bonito.

Rapazinho, vá ouvir electro e curtir seu amor grego no dark room. Não me venha com essa raiva anal.

E olha que nem comentei sobre as estripulias daqueles outros dois, que dormiam com o Gandalf, aquela bicha inglesa...

Se alguém quiser, posso disponibilizar os antigos posts do meu igualmente antigo blog, o glamouroso "Não Fiz, e Daí?", que mostra a origem do mané que vos escreve.

Tem a estória da minha broxada, aquela da vez em que faltei a eleição, minha aventura em Guarapari e toda sorte de aventuras que divertirão toda a família e instruirão a petizada.

Copacabana está cada vez mais parecida com a Nova Iorque apocalíptica daquele filme do Kurt Russel ("Fuga de Nova Iorque"?).

Nesse exato momento, as ruas estão cheias de mindingos e viciados, e come um tremendo tiroteio.

Maldito Brizola e seu PDT (Partido Dos Traficantes). Eu sabia que tu era o anticristo.

E nego achando que era o Hitler. Vai nessa

28.1.04

a segunda aparição da boiolice



Antes de mais nada, um breve intróito.

Eu sabia que os fãs da triologia de Tolkien eram um tanto malas e combativos, mas não imaginava que pudessem ser tão implacáveis a ponto de pertubar minha mailbox com seus impropérios élficos.

Mostraram-se mais raivosos até do que os meus tradicionais perseguidores: os adoradores da Radeon, ubernerds, juízes classistas e os maçons.

Confesso que essa turba de hobbits me fez temer pela segurança.

Imagino que um dia me sequestrem e me obriguem a comer o lembas, aquele pão seco que o Frodo usava pra saciar a larica. Deve ser uma tortura comer aquilo sem uma manteiguinha esperta. Deve prender o intestino, inclusive

Já tomei minhas providências caso desapareça: passei a senha do blog pro Rafa. Ele irá continuar o meu legado (ou talvez ele seja sensato e apague essa porra toda).

Voltemos à análise das mensagens homossexuais do filme .

Ou, numa linguagem cabeça, "um apanhado hermenêutico acerca das mensagens homoeróticas da obra de Tolkien".

Falarei hoje sobre o tal do olho.

O filme não explica a origem desse olho. Não sabemos quem é, onde mora e pra qual time o supracitado olho torce. Sabe-se apenas que o olho descobria o paradeiro do Frodo quando este colocava o anel no dedo. Daí todos os saltimbancos do mal iam com seus cavalos pretos à caça do pobre coelhinho de olhos azuis e tristes.

Não assisti o filme novamente. Não ia aguentar as 3 horas e caralhada do filme. Só a bunda da Silvia Saint é tão resistente. Eu baseei esta análise apenas na minha memória.

Novamente, o anel significa a olhota, o cu, o rabo, a rabeta. O ato do Frodo inserir o dedo no anel, obviamente, representa a sodomia, tal qual Buttman projetou em sua extensa base literária.

Mas o que o olho tem a ver com tudo isso?

Repare que o olho só aparece quando o Frodo coloca o anel no dedo. Nunca quando o segura ou quando o pendura no pescoço através de um colar.

Por conseguinte, o olho descobre quem realizou esse ato e trata logo de divulgar para a rapaziada do mal.

Ou seja, o olho a função do olho é de espalhar pra galera que o Frodo colocou o anel no dedo.

Portanto, através dessas confusas premissas, desenvolvidas por esta besta que vos escreve, chegamos, finalmente, à segunda mensagem gay do final:

"Não adianta esconder. Se der a bunda, sempre alguém vai saber e contar pra todo mundo."

Você, leitor, que gosta de se vestir de hobbit, agora entende porque anda com uma coceirinha na bunda...

26.1.04

Adamastor e as mensagens subliminares de Frodo, Biro-Biro e Legolas



Esqueci de comentar (como se alguém se importasse) que assisti o "Retorno do Rei", aquele filme do Frodo e seus amiguinhos salientes.

Achei um grande filme, apesar de alguns buracos no roteiro, mas que se perdoa

Mas o que me chamou a atenção foi a mensagem, longe de ser aquela de que "o poder corrompe e destrói os corações".

A grande mensagem, sublimnar, por sinal é a seguinte:

Pra você ser homem, macho, do sexo masculino, você precisa provar do babado forte.

Essa minha pretensiosa teoria é facilmente explicada.

O Frodo e o seu amiguinho (acho que é Biro-Biro ou outro nome parecido) passam os três filmes se alisando e trocando carícias nos confins da Terra Média. No final do filme, após jogar o anel na montanha mágica, o Biro-Biro, numa surpresa repentina, diz que gostaria de casar com a Fulaninha e ter um monte de filhos.

Veja bem. O cara ficou alisando o Frodo durante os 3 filmes (mais de 7 horas de projeção) e nunca comentou nada sobre essa Fulaninha. E, só depois que "queimou o anel" (percebam a simbologia da parada - não era o Tolkien um linguista?) é que despertou sua persona heterossexual.

Ou seja, se você ainda não queimou o anel, não provou da fruta fálica, não pode se considerar homem.

Eu sabia que esse filme tinha alguma viadice.

Depois eu explico a simbologia do olho.

Antes que me perguntem: não, eu não estou fumando maconha.

21.1.04

o furor uterino e o spam



Depois do sofrimento retrocitado e ainda com o ódio circulando por meus corpos cavernosos, fui checar os meus emails e recebi um spam da FAJOPP - Faculdade João Paulo Primeiro, que se localiza em algum lugar perdido no Estado de São Paulo.

Como o supracitado spam fazia referência ao telefone dessa odiosa entidade ([0xx11] 3699-5405), resolvi ligar pra lá, mesmo sendo interurbano, pra descontar minha raiva em alguém.

Lembre-se, querido leitor: só pessoas covardes e amargas é que descontam suas raivas e frustrações nos outros. Pessoas de caráter nobre sofrem caladas e batem uma relaxante punhetinha no banheiro. De preferência, com aquele sabãozinho líquido que não arde as partes.

Fui atendido por LIlian, auxiliar de marketing, que gaguejou quando eu disse "que recebi um email sem ter pedido. Quenegóssoéesse?". Ela ficou uns minutos gaguejando, tentando se explicar e pediu para que eu falasse amanhã com o chefe dela, um rapazola que atende por Alexander.

Quando vi que ela me jogava pra escanteio, pensei em dar um esporro, mas refleti e vi que ela é apenas uma pobre celetista. Não tem poder de comando e está apenas cumprindo ordens. Quem precisa tomar uma descompostura é o seu chefinho, ora porra, que é o diretor do departamento de marketing.

Grandes merda. Morro de medo de diretores.

Jurei vingança e prometi ligar amanhã, pra falar com esse sujeito. Não vou dar esporro, xingar ou coisa e tal. Vou apenas pentelhar um pouco e exigir que ele respeite a Convenção Mundial de Berne, que tipifica o spam como crime inafiançavel e sujeita os autores até penas de quinze anos de trabalho forçado e sodomização quinzenal pelo Miguelão, o carcereiro oficial da Polícia Federal.

fazenda é para os burros



Quando visito a seccional fluminense do Ministério da Fazenda, ali na Erasmo Braga, no Centro, sempre respiro fundo antes de entrar.

E não é por admiração da arquitetura do prédio, pesada, que não combina com nosso país tropical e que já foi chamado de "prédio nazista", pois lembra prédios alemães dos tempos daquele rapaz coprófago.

O motivo do meu suspiro é porque percorrer aquele lugar é uma verdadeira peregrinação. É o caminho de Santiago de Compostella dos pobres.

Ë um lugar habitado por funcionários que, em sua maioria, são desinteressados, mal-educados e mal-treinandos. Se você não tem certeza em que órgão precisa ir, está fodido. Terá de percorrer uns 20 lugares diferentes até chegar o destino final, se chegar, claro.

Foi o que aconteceu comigo. Tinha de resolver um problema hoje lá, mas não sabia aonde. Ninguém sabia a porra da informação. Nem o setor de informações, nem a secretária do Procurador-Chefe, que me olhou com cara de nojo, e achou que eu estava mentindo quando disse que visitei umas 200 seções, inclusive o banheiro feminino, onde Cleide confessou à sua colega que não caga direito desde o final de dezembro.

Confesso que senti a vontade se sacar minha pequena garrucha e fazer todos os filhos da puta de reféns. Iria inventar algum motivo religioso, dedicar o ato terrorista à Ordem Terceira do Deus Radeon, e projetar um manifesto confuso e com excesso de vírgulas, tal qual o meu blog.

Claro que, pra seguir a cartilha do maluco revolucionário-terrorista, teria de promover gargalhadas malévolas e olhares esbugalhados.

Mas desisti. Não tanto pelo meu modo pacífico de ser, mas porque fazer essa zona toda ia dar um trabalho do caralho. Eu ia acabar perdendo a saída daquela sósia do Popó no Big Bronha Brasil.

O pior de tudo é ter de tratar esses imensos filhos da puta com educação. Sim, são pessoas que na infância testemunharam suas mães tendo vidas promíscuas e resolveram projetar o ódio materno nos outros. Alguns são menos violentos, e acabando se relacionando apenas com putas, num desdobramento dessa projeção.

Acabei chegando em casa combailido, cansado e com as partes íntimas com cheiro de presuntada em lata vencida.



15.1.04

tio ada detesta o cinema nacional



Apesar do renascimento do cinema brasileiro, essas duas palavras ainda me causam calafrios. Eu ainda não tive coragem de assistir nenhum desses filmes da nova geração.

Antes que o leitor diga que eu não valorizo a cultura nacional e que sou um descerebrado ianque, justifico o meu trauma.

Na minha época de colégio, lá nos tempos da "Nova República" (tenho uma teoria que conto outro dia: todo brasileiro nascido após o advento da Nova República é um péla-saco. Deixa o tio contar outra sandice), minha professora de português, uma baixinha ranheta, quando via que a turma estava alvoroçada e não queria conjugar os verbos no pretérito mais que perfeito (só gaúchos empregam esse tempo verbal), colocava toda a galera de castigo.

O castigo em questão era assistir um filme nacional, de preferência, alguma merda do Júlio Bressane, da Ana Carolina ou da Tizuka Yamazaki.

Mas o preferido da professorinha torturadora era "Morte e Vida Severina". Basicamente a estória era a seguinte: Tânia Alves e a Marcélia Cartaxo, magricelas e carcomidas pela seca, cantavam esganiçadas nos recantos áridos do nordeste. Tinha gente que passava mal.

Pior eram os filmes da Ana Carolina. Totalmente nonsense. Vi um filme em que a Xuxa Lopes toma um estabaco, cai num buraco e fica lá dentro recitando poesia. Porra, recitando poesia dentro dum buraco é foda. Muito sem noçaum. Juro que nao entendi porra nenhuma. Acho que a merda em questão era um tal de "Sonho de Valsa".

Isso sem contar que no colégio, assisti, acredite, "Espelho de Carne", famoso pelos seguintes fatos: 1) pela quantidade de celulites da Joana Fomm; 2) pela cena em que enfiam um barbeador elétrico na peludíssima xota da Maria Zilda (bons tempos da Maria Zilda. Rendeu-me altas punhetas) e, pior de tudo, 3) a cena em que o Daniel Filho e o Denis Carvalho jogam baralho e fazem a aposta mais perigosa: quem perder vai ter de dar a bunda.

Só abro exceção aos filmes do Sérgio Mallandro, afinal, o cara, com sua "alegria química" , acaba sendo a graça involuntária de qualquer película. Se ele fosse mais famoso, ia acabar morrendo de overdose e virando cult, com direito a teorias conspiratórias e aparições em janelas.





meu amiguinho blogueiro


Esqueci de comentar que quase conheci o jovem Rafa, o poetinha revoltado de Sampa.

Ele veio aqui no Rio e ainda ligou pra mim, mas só que às 3 hs da manhã, quando eu estava, de pijamas, assistindo um filme em que o Snoop Dogg aparecia com o pixaim liso. Esse era o melhor efeito especial da película em questão.

Pensei até que a ligação fosse da polícia, e a minha primeira reação foi pegar a garrucha que guardo no criado-mudo, perto da bisnaga de KY.

Mas voltando ao Rafa: ele me convidou a ir com a galera dele à uma boate gay chamada Dama de Ferro ou Dá-me-te o ferro, sei lá. Ia ter uma noite de electro.

Ele sacaneou o meu dixavado sotaque de carioca, mas ele nem poderia me zoar. Aquela pronúncia de garçom-do-Porcão também é uma comédia, data venia.

Recusei polidamente, como é de meu costume. Embora não tenha qualquer preconceito com nossos compatriotas manja-rolas, eu não sou adepto desse tipo de vida, apesar do meio jeito doce e sublime de ser.

Além disso, pelo que soube, esse tal de electro é a vertente mais viada da já viada música eletrônica. Parece que os DJs mixam, junto com a música, uma faixa sonora inaudível aos ouvidos humanos, mas perceptível aos briocos, que se alargam com tais sons.

Creio que sou imune à esses efeitos subliminares, mas preferi não arriscar.

Vai que eu acabe gostando?

12.1.04

os fotologs enquanto manifestação onírica da vaidade humana (título intencionalmente non sense)



Os fotologs causam polêmica em minhas divagações cerebrinas. Eu, simultaneamente, amo e odeio esses flogs .

Me divirto com as patricinhas querendo mostrar as marquinhas de bikini, com as gordinhas fazendo pose sexy, com os nerds tentando mostrar alguma normalidade, com os rapazotes malandros deixando-se fotografar fumando maconha, numa elegia subliminar à inteligência e à própria malandragem.

A vaidade alheia é divertida, quase tanto quanto a estupidez do vaidoso.

O que eu odeio mesmo são as fotos dos grupinhos, das viagens, dos amiguinhos. Daquele verão perdido em que a galerinha se reuniu em Arraial do Cabo e cantou Faroeste Cabloco.

Detesto tudo isso. Me faz lembrar que eu não tenho amiguinhos. Sou ranzinza, antisocial e detesto galeras e turminhas (excluindo-se. obviamente, a confraria do totó e a irmandade das termas).

Além disso, as poucas fotos em que eu saí, seja abraçado com uma drag queen, seja sarrando uma doméstica na Av. Atlântica, despertariam náuseas em meus leitores e demais membros dessa comunidade dançante.

9.1.04

parentes, essa raça interesseira



Quando comecei na profissão, só papai e mamãe em ajudaram. Ninguém me arrumou uma boca-rica ou me deu uma chance num escritório. Tive de enfrentar os reclamante selvagens de Itaguaí, bem como a sobreviver a testemunhas bêbadas em São Gonçalo.

Foram tempos sofridos, de muito sangue, suor e chulé.

Há pouco tempo, comecei a ganhar algum dinheirinho. Não é nada demais, mas já estou levantando uma laje em Vila Kennedy, aonde tenho status de prefeito e sou querido pela comunidade.

Esse meu relativo sucesso profissional despertou a cobiça de parentes distantes, essa maldita raça de primo-de-vigésimo-grau, que resolveu aparecer, do nada, e tentar descolar um troco em cima da minha pessoa, honesta e trabalhadeira.

Esse tal primo me ligou ontem, dizem que precisava de um favor, queria uma vaga de advogado pro seu filho, rapaz recém-formado.

Vale dizer que essa figura pouco falou comigo na vida, só nos vimos umas 2 ou 3 vezes, naquelas tradicionais e obrigatórias reuniões familiares (v.g. enterros e casamentos).

Falei que o meu elenco estava fechado, e que não cabia mais ninguém. Se ele quisesse, me mandasse o currículo do menino por email que eu trataria de recomendá-lo ao Poposão Rosa, que teria mais alguém a lhe socar o feijãozinho.

Como todo cara-de-pau é insistente, ele encheu o saco. Queria por que queria. Mas eu fui treinado em lidar com gente chata, mal-educada, metida, grosseira e escrota. Aprendi, com o meu mentor espiritual e primeiro patrão, o Ilmo. Dr. Michael Sullivan (ele era a cara do sujeito), como enfrentar essa escumalha, sem usar de força física ou de palavras torpes.

Pelo telefone, o jeito mais fácil de se livrar de um chato é começar a falar "não tô te ouvindo, fala mais alto". Depois, repetir umas duas vezes um "alô? alô? vou desligar, não tô te ouvindo". O camarada vai acabar desligando também, daí, é só tirar o telefone do gancho por uns 20 minutos. Se o cara ligar novamente, peça pra alguém atender e dizer que saiu.

Foi o que eu fiz. Desliguei na cara do malandro e deixei por isso mesmo.

Pensei que tivesse me livrado do infeliz. Geralmente, esse simplório subterfúgio picareta costuma dar resultados sensacionais. Acontece que hoje, ao chegar todo feliz e faceiro em minha maloca profissional, me deparei com o mala-pai e o mala-filho, me aguardando na sala de espera. Beth Bocão, minha secretária lésbica, me olhou com cara de suplício.

Cumprimentei os babacas. Estavam todos de terno. Quem fez o nó da gravata deles devia sofrer de Parkinson. O mesmo nó torto para o lado esquerdo.

Recebi a malandragem na minha sala. Ficaram sacando meus livros, meu computador, meu mousepad do glorioso Vasco da Gama, essas coisas. Fizeram um levantamento visual pra ver se eu realmente tinha dinheiro.

O jovem advogado me mostrou o currículo. Uma merda. Conseguiu me barrar. Formado pela Faculdade da Cidade de Ipanema (também conhecida como "A Boate"), sua única experiência foi o escritório modelo da faculdade. Pelo visto, eu teria de ensinar o jovenzinho a peticionar e a não tratar o juiz de "você".

A dupla forçou a barra, mas eu empreguei outro macete, ensinado pelo meu ex-chefe mineiro:

Chorei miséria. Com o cenho franzido, e olhando para um ponto fixo distante, comecei a desfiar um rosário de dor, sofrimento e desilusão. O que não deixa de ser verdade. Contei dos clientes que não pagam, processos que não andam, meu vício em prostitutas (ok, essa parte eu ocultei), etc.

E quando terminei, continuei, com a expressão desolada, olhando para o além, mas em silêncio.

A pelegada ficou super constrangida. Não tinham como me abordar mais. Eu tava olhando prum horizonte imaginário, com cara de tristeza, e em silêncio. De rabo de olho, vi que eles não sabiam o que fazer.

Depois de longos cinco minutos, o mala-pai me abordou e jogou a toalha. Iriam embora, mas "manteriam contato".

E assim foram. Os sábios truques mentais de meus mestres Dr. Michael Sullivan e Dr. Mineirinho deram certo.

Depois. ao comentar o ocorrido com Beth Bocão, soube que a mona foi interrogada pelos meus primos-malas, que perguntaram pra ela até uma estimativa de quanto eu ganhava por mês.

Moral da estória: pato novo mergulha raso. Enquanto tu tira nove, malandro tira dez.

8.1.04

Perfil do consumidor



Recebi por email um prosaico teste de personalidade, o qual retornou as seguintes respostas:

01. Você coloca os outros em 1.º lugar
02. Você tem idéias e um modo de ser clássico !
03. michel é pessoa fiel e companheira, que você poderá contar sempre !
04. creusa é uma pessoa com quem você terá (se já não tem) muita intimidade !
05. Há um amor verdadeiro próximo a você !
06. Você é uma pessoa romântica !
07. Cerca de 35 amigo(a)(s) são fiéis a você !
08. Sua vida será alegre mas terá seu altos e baixos !
09. Você é uma pessoa transparente, clara ! E isso é ótimo !

Comentários:
01. Errado. Sou egoísta, egocêntrico e arredio
02. Errado. Sou modernoso e prafentex. Sequer uso pijama.
03. Errado. O único Michel que conheci foi o Michel Bundinha, um maçom da época da escola, que parou de falar comigo depois que lhe botei esse apelido.
04. Talvez. Devo ter comido, bêbado, alguma Creusa. Espero que não.
05. Resposta vaga. Amor de mãe conta?
06. Errado. Já tive minha fase de passear de mãos dadas ao pôr-do-sol, tomando água de coco e comendo biscoito Globo, mas esses momentos foram poucos e remotos em minha vida. A incompreensão humana endureceu meu coraçãozinho, e passei a ser adepto do pensamento copacabanense "tudo o que eu te disse foi lindo, mas foi só pra te comer".
07. Errado. Vide resposta 01. Se eu tiver 5 amigos, vai ser muito. Por isso que nunca faço festas de aniversário. Os croquetes sempre encalhavam.
08. Idiotice. E terei resfriados, baterei punhetas e receberei spam. Precisa dizer algo tão previsível?
09. Errado, mas há controvérsia. Sou dissimulado, por força da minha profissão e do meu caráter tíbio (aprendi esse adjetivo no livro do Elio Gáspari. Não sei do que se trata, mas não deve ser coisa boa). Contudo, o meu antigo analista, Dr. Survektor, acha o contrário. Disse que sempre decifrava as merdas que eu pensava só de olhar pra minha cara. Ele sempre acertava, tirando a vez que não lhe contei do fio terra que eu tomei , mas isso a gente deixa pra lá.

Será que um programa feito em Javascript terá a autoridade de decifrar as nuances, sutilezas e complexidades da alma humana? Teria um programador a capacidade de colocar tudo isso em 15 Kb?

Nem por um caralho, certamente.

6.1.04

A imprensa caluniou a memória da Elis Regina. A verdadeira filha e sucessora de seu talento será sempre o Marquinhos Moura.