Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

30.4.04

Lucas



Lucas não aguentava mais aquele simpósio sobre o Novo Código Civil. Aliás, não aguentava mesmo era aquele palestrante, um desembargador conhecido e festejado, com 12 livros chatíssimos no currículo, e uma capacidade fora do comum de dizer merda, mas como se fosse a mais pura sabedoria.

Mas o pior não era ouvir aquela babaquice toda. Era olhar pra cara da platéia, e ver aquela cambada de imbecis, embevecida, sorrindo, aplaudindo e transcrevendo toda a incomensurável merda que aquele infeliz proferia.

Nesse momento, em que percebeu a estupidez humana, Lucas sentiu pânico. Teve vontade de se levantar da platéia, de rompante, tomar o microfone daquele bostinha e proferir essas virulentas palavras:

"Seus filhos duma puta. Vocês gastaram 100 reais pra vir aqui e ouvir esse grandissíssimo corno falando merda? Será que vocês, cambada de filhos da puta, não estão percebendo que esse boçal entende de direito menos do que um ajudante de pedreiro? Será que vocês, seus pulhas, nunca abriram a porra de um livro de Direito? MInha vontade é de urinar em vocês, cambada de fudidos! Aonde já se viu prestigiar esse merda? Até quando vocês serão enganados? Até quando esse imbecil rirá de sua ignorância?".

Depois de repassar mentalmente esse discurso, Lucas respirou fundo e meditou. Não era bem isso que lhe incomodava.

Levantou-se da cadeira e, ao invés de fazer seu manifesto apaixonado, foi ao banheiro soltar a cueca do cu.