Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

29.4.04

Douglas



Douglas era o esquisitinho da galera. Era o único botafoguense e era também o único que possuía um Intelevision, aquele videogame bizarro em que o joystick era uma porrada de botões, com jogos fofos e "educativos".

Acabou sendo incluído no grupo por caridade. Geral tinha pena dele. E até o convidaram pra sessão de cinema semanal na casa do Bruninho.

Bruninho alugava um filme e passava pra galera em seu videocassete de quatro cabeças, coisa fina que o seu pai, comandante de avião, trazia dos EUA, junto com uns remédios de tarja preta e umas paradas pra cheirar que distribuía pros seus compadres enrustidos.

Douglas até que se portava direitinho, mas embirutou depois que passaram "Rambo II" numa das sessões.

Lá pelas tantas do filme, o Rambo, que poderia ter vencido a guerra do VIetnã sozinho, se não fosse tão babaca, ergueu uma pedra gigante e fez cara de sofrimento.

Douglas, repentinamente, se levantou e começou a gritar, apontando para a TV:

- O Stallone tá contraindo o cuzinho!
- O Stallone tá contraindo o cuzinho!

Jefferson, que era filho de militar e, portanto, chegado à uma intolerância, pegou o camarada pela camisa e o botou pra fora.

Depois daquele dia, nunca mais convidaram o Douglas pra ver um vídeo. E chegaram a conclusão quase unânime de que Intelevision era videogame de viado.

Jefferson votou contra.