Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

30.4.04

débora



Nos almoços de domingo na casa da vovó, Débora era o centro das atenções.

Não só pelo seu lindo e sedoso cabelo liso, uma raridade naquela família cheia de sararás, mas, principalmente, pela desenvoltura em que a menina de cinco anos dançava na sala.

Bastava alguém colocar pra tocar alguma música de lambada que Débora, ainda que desajeitadamente, balançava o seu bumbunzinho e rebolava freneticamente, fazendo poses sensuais que deixavam a vovó orgulhosa.

- Essa minha netinha vai ser artista! Vai ser bailarina! - gritava Dona Almerinda, chamando todos os vizinhos para ver sua netinha perfomática.

Todos adoravam a dança de Débora, exceto seu avô, Nélson, que, esquecido na cozinha, murmurou profeticamente para a empregada:

- Isso aí vai ser puta.