Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

1.3.04

segunda-feira



Segunda-feira é o dia mais agitado nos blogs. É quando os blogueiros contam o seu "relatório de fim de semana", arrolando todos os fatos interessantes que aconteceram nesses dias de ócio.

No lugar de "fatos interessantes que aconteceram", leia-se "factóides que poderiam ter ocorrido, caso o autor do blog tivesse controle sobre os elementos tempo/espaço".

Ou seja, neguinho inventa coisa. Diz que beijou muito, que pegou geral, que deu fora em gente feia, conta um monte de vantagem, quando na verdade, na verdade verdadeira, passou o sábado e o domingo pendurado na internet, conversando com os pobres diabos que frequentam os canais de chat da Brasnet, tentando conseguir amor e atenção.

Eu, por exemplo, conto a verdade.

Tudo bem que meu nome verdadeiro não é Adamastor Rogério da Silva. Isso é só um detalhe.

Passei o meu fim de semana vomitando. Só isso. Levei um longo e monocórdico papo com a privada.

Eu poderia botar mais umas firulas nesse meu triste relatório. Dizer, por exemplo, que essa vomitação toda decorreu de um big mac que consumi no McDonalds do Barrashopping, onde fui atendido pelo destaque noturno, o jovem e sorridente Mayko, que me presenteou com essa fina iguaria cheia de vermes e coliformes fecais.

Poderia dizer, também, que só não morri porque meu aparelho digestivo foi treinado a aguentar às piores comidas possíveis. Como advogado, já tive de comer costela assada num boteco de beira de estrada em Itaguaí. Fui o único da expedição jurídica a sobreviver a essa costela, cozida por um índio de cabelo ensebado.

Outrossim, poderia dizer que a Barra é um lugar estranho, com muita gente metrossexual e casais compostos por homem feio/mulher bonita. Talvez seja o dinheiro, a proximidade do mar ou a pressão barométrica. Sei lá.

Só não entendi porque Mayjko, rapaz tão prestimoso e feliz, me deu essa porra estragada. Foi um ato aleatório ou uma sórdida vingança tramada?

Enquanto vocês pensam, deixa o seu tio ir lá no vaso.