Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

10.2.04

Paciência olímpica



Caixa de mensagem do telefone celular do Dr. Adamastor da Silva, 17:30 h da terça-feira, 10 de fevereiro de 2004:

[voz metálica]

Você.. tem... duas.... mensagens na caixa postal.

Primeira mensagem armazenada

[voz de mulher idosa]

"Doutor Adamastor, é a Luzia Macedo. O senhor precisa me dar retorno, porque eu mandei meu motorista embora. Ele resolveu mandar em mim. Eu tenho 68 anos, e ele 28. Sempre que ele me leva pra passear de carro, é ele que quer escolher o trajeto e os lugares. Assim não dá. Eu não posso admitir ese desrespeito. Ele vai ficar só esse mês aqui e o senhor precisa ver as contas dele, essas coisas de INSS e FGTS. Eu não aguento mais esse rapaz. Odeio esses passeios que ele escolhe. Chega. E além disso..."

[voz metálica]

Próxima mensagem armazenada

[voz de mulher idosa]

"Oi, sou eu de novo. Caiu a linha. Mas como eu tava dizendo? Hã? Ah, o senhor precisa conversar com ele e pagar os direitos dele direitinho, que eu não quero ter problema na Justiça. Isso é falta de respeito com uma pessoa de idade como eu. Eu queria que o senhor viesse amanhã à tarde aqui, porque, o senhor sabe, eu só acordo tarde. Fala com ele e acerta direito com ele. Um abraço e lembranças a família"