Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

27.2.04

Confete e vaselina



Espero que meus sete leitores tenham arranjado alguma coisa pra fazer no carnaval, tendo em vista que eu deixei de atualizar esse blog.

Fui aproveitar os últimos momentos da minha juventude, eis que, ano que vem, mais precisamente no dia 10 de março, serei um balzaco, velho demais para comer as menininhas de 17 anos que vivem me assediando sexualmente.

Passei o carnaval no norte do Espírito Santo. Acho que foi em Areré ou Ariri, ou coisa do tipo. Era uma cidadezinha miserável, com um trio elétrico miserável, mais cheio de mulher (mineiras e algumas capixabas) e muita cachaça.

Consegui ganhar um boquete amigo de algumas mineirinhas, mas creio que foi mais pelo fato de ser carioca do que propriamente dos meus atributos físicos e intelectuais (poucos, aliás).

Como vocês sabem, os cariocas são venerados em outros estados de nossa federação. Dizem que somos quentes, pegadores e matadores. A mulherada adora nosso jeito marrento, com um quê de malandragem e outro quê de sequela maconhística.

No caso das mineiras, esse fogo na xexela também decorre do fato de que os mineiros do sexo masculino preferem encher a cara de cerveja do que machucar a tubiba de uma conterrânea. Coisas que só Lô Borges e o Clube da Esquina conseguem explicar.

A única coisa que tive de fazer foi exagerar no meu jeito carioca de ser. Exibi o máximo possível a minha pronúncia dixavada e malemolente, com os ésses soprados, o que encantou a mulherada.

O desejo latente da mulherada me fez, ainda que por poucos minutos e por causa do teor alcóolico, me sentir gostoso e sexy. Pensei em abandonar a vida de advocacia e me virar modelo fotográfico em Belo Horizonte.

Eu quase comi uma mineirinha, mas ela desistiu porque não queria trair o namorado, um estudante de administração capixaba. Beijar na boca pode. Levar dedada pode. Boquete pode. Agora, uma trepada, isso sim, é inadmissível.

Acabei não usando o tubo de KY.

Não entendo essa gente.

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Pra vocês verem como é a vida. Vi a Morena da Escada na TV. Ela foi entrevistada por aquele repórter careca e fronteiriço da Rede TV, o Vágner Sugarôla. Ela ia desfilar numa Escola do Rio,e um biquini que mal cobria a ceceta. E tinha uma porrada de homem gritando "gostosa" ao fundo.

Definitivamente, não era mulher pra eu apresentar pra mamãe.

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Aproveitei os poucos momentos de ócio e li "Abusado", livro do único jornalista brasileiro que usa costeletas: Caco Barcellos.

É interessante, mas o autor acaba se contradizendo. Diz que não pretendia revelar o nome do personagem principal, mas dá tantas "dicas" que acaba sendo impossível não identificar o camarada. É pra ler no Carnaval mesmo, deitado numa rede e trajando aquela cueca de três dias.


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Meu irmão passou o carnaval em Teresópolis. Gente feia, lugar chuvoso e festa esquisita. Eram quatro escolas de samba, e uma delas homenageou um rapaz deficiente mental, querido na cidade pelas travessuras que apronta. As mulheres só perdiam em feiúra para as de Teixeira de Freitas-BA, onde lutei bravamente com os dragões locais no carnaval de 1999.

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Mestre Daniel reclama com razão.

Não dei o endereço do Pampa Grill, aquele pardieiro pulguento do Centro da Cidade.

Anota aí, chefia:

Av. Almte. Barroso, 90 - Centro - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2524.1199

Se for lá, me avise. Podemos armar uma guilda para guerrear contra as mocréias encantadas do local.

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Continuo escrevendo mal pra caramba.

Juro que minhas petições são melhores.

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Update:

Exibo para meus amiguinhos a foto que segue, que representa o teor trevoso e sinistro do Pampa Grill (tirada do site Sacode):
Esconjuro, coisa ruim!
A criatura da esquerda, não sei porque, me lembra da Leiloca, aquela baranga que integrou o grupo "As Frenéticas", nos idos de 1910.



E que tal essa, a índia dos lábios de botox?

Quem tiver espírito de aventura e destemor no coração, peço que me acompanhe numa incursão nesse antro selvagem e ribeirinho.