Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

5.2.04

chutando cachorro morto



Aproveito sempre o meu trajeto casa-trabalho-casa para pensar e repensar sobre banalidades. Evito lembrar das contas do mês, se ainda tenho prazo para interpor um recurso xis ou se o meu estoque de Prudence acabou (compro a um real e vinte centavos na farmácia da esquina de casa).

Ultimamente, nesse passeio, tem tomado os meus pensamentos algumas coisas sobre o filme Matrix, aquele primeiro, o mega-hit-superjóia.

Eu sei que perdeu a graça falar mal dos furos no roteiro e na quantidade de nonsense encontrada no conto de fadas dos irmãos Wachotas, mas confesso a vocês, criançada, que uma coisa tem me perturbado.

Acompanhem meu relato.

Depois que o Morpheus foi capturado pelo agente Smith, ele é levado para o edifício-base-secreta dos bandidos.

O Neo volta para a base-dos-mocinhos e jura vingança. Pensa num modo de salvar seu amigo de cor.

Aí o Neo pede para ser mandado de novo pra Matrix. Aparece aquela cena antológica, com os armários de armas correndo freneticamente em torno do casal.

Daí ele revela que tem um plano.

E qual seria o plano do nosso genial hacker? Do camaradinha cabeça? Invadir furtivamente o edifício-base-secreta dos bandidos à noite e resgatar Morpheus?

Não.

O brilhante plano do meu sósia parece tirado de "Rambo II", aquele filme em que o Stallone, sozinho, vence a guerra do Vietnã, a do Laos e ainda dá um chocolate na galera da Coréia do Norte. Tudo isso sem sujar sua faixinha vermelha e sem gastar sua botinha-fetiche.

Esse plano consistia em entrar pela porta da frente do edifício-base-secreta dos bandidos e sair "di contenção", descarregando sua metranca digital nos pobres guardinhas.

Daí, depois de ter sentado a porrada na galera, o que avisou os agentes de que tinha algo errado acontencendo, nossos heróis resolvem jogar uma bomba no poço do elevador e só.

Esse era o brilhante plano.

Tirinho-porrada-bomba.

Tudo bem que essa cena foi muito bonitinha, com belíssimas coreografias e a esperta trilha sonora dos Propellerheads, mas esperava-se mais de um filme pretensamente cabeça.

Não sei como o Neo conseguiu convencer a Trinity. Deve ter rolado uma pirocada antes, pois sabe-se que mulher de buceta feliz faz qualquer coisa.

Salvaram o crioulo, é verdade, mas poderiam ter feito isso com mais luxo, glamour e sedução.