Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

15.1.04

tio ada detesta o cinema nacional



Apesar do renascimento do cinema brasileiro, essas duas palavras ainda me causam calafrios. Eu ainda não tive coragem de assistir nenhum desses filmes da nova geração.

Antes que o leitor diga que eu não valorizo a cultura nacional e que sou um descerebrado ianque, justifico o meu trauma.

Na minha época de colégio, lá nos tempos da "Nova República" (tenho uma teoria que conto outro dia: todo brasileiro nascido após o advento da Nova República é um péla-saco. Deixa o tio contar outra sandice), minha professora de português, uma baixinha ranheta, quando via que a turma estava alvoroçada e não queria conjugar os verbos no pretérito mais que perfeito (só gaúchos empregam esse tempo verbal), colocava toda a galera de castigo.

O castigo em questão era assistir um filme nacional, de preferência, alguma merda do Júlio Bressane, da Ana Carolina ou da Tizuka Yamazaki.

Mas o preferido da professorinha torturadora era "Morte e Vida Severina". Basicamente a estória era a seguinte: Tânia Alves e a Marcélia Cartaxo, magricelas e carcomidas pela seca, cantavam esganiçadas nos recantos áridos do nordeste. Tinha gente que passava mal.

Pior eram os filmes da Ana Carolina. Totalmente nonsense. Vi um filme em que a Xuxa Lopes toma um estabaco, cai num buraco e fica lá dentro recitando poesia. Porra, recitando poesia dentro dum buraco é foda. Muito sem noçaum. Juro que nao entendi porra nenhuma. Acho que a merda em questão era um tal de "Sonho de Valsa".

Isso sem contar que no colégio, assisti, acredite, "Espelho de Carne", famoso pelos seguintes fatos: 1) pela quantidade de celulites da Joana Fomm; 2) pela cena em que enfiam um barbeador elétrico na peludíssima xota da Maria Zilda (bons tempos da Maria Zilda. Rendeu-me altas punhetas) e, pior de tudo, 3) a cena em que o Daniel Filho e o Denis Carvalho jogam baralho e fazem a aposta mais perigosa: quem perder vai ter de dar a bunda.

Só abro exceção aos filmes do Sérgio Mallandro, afinal, o cara, com sua "alegria química" , acaba sendo a graça involuntária de qualquer película. Se ele fosse mais famoso, ia acabar morrendo de overdose e virando cult, com direito a teorias conspiratórias e aparições em janelas.