Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

21.1.04

fazenda é para os burros



Quando visito a seccional fluminense do Ministério da Fazenda, ali na Erasmo Braga, no Centro, sempre respiro fundo antes de entrar.

E não é por admiração da arquitetura do prédio, pesada, que não combina com nosso país tropical e que já foi chamado de "prédio nazista", pois lembra prédios alemães dos tempos daquele rapaz coprófago.

O motivo do meu suspiro é porque percorrer aquele lugar é uma verdadeira peregrinação. É o caminho de Santiago de Compostella dos pobres.

Ë um lugar habitado por funcionários que, em sua maioria, são desinteressados, mal-educados e mal-treinandos. Se você não tem certeza em que órgão precisa ir, está fodido. Terá de percorrer uns 20 lugares diferentes até chegar o destino final, se chegar, claro.

Foi o que aconteceu comigo. Tinha de resolver um problema hoje lá, mas não sabia aonde. Ninguém sabia a porra da informação. Nem o setor de informações, nem a secretária do Procurador-Chefe, que me olhou com cara de nojo, e achou que eu estava mentindo quando disse que visitei umas 200 seções, inclusive o banheiro feminino, onde Cleide confessou à sua colega que não caga direito desde o final de dezembro.

Confesso que senti a vontade se sacar minha pequena garrucha e fazer todos os filhos da puta de reféns. Iria inventar algum motivo religioso, dedicar o ato terrorista à Ordem Terceira do Deus Radeon, e projetar um manifesto confuso e com excesso de vírgulas, tal qual o meu blog.

Claro que, pra seguir a cartilha do maluco revolucionário-terrorista, teria de promover gargalhadas malévolas e olhares esbugalhados.

Mas desisti. Não tanto pelo meu modo pacífico de ser, mas porque fazer essa zona toda ia dar um trabalho do caralho. Eu ia acabar perdendo a saída daquela sósia do Popó no Big Bronha Brasil.

O pior de tudo é ter de tratar esses imensos filhos da puta com educação. Sim, são pessoas que na infância testemunharam suas mães tendo vidas promíscuas e resolveram projetar o ódio materno nos outros. Alguns são menos violentos, e acabando se relacionando apenas com putas, num desdobramento dessa projeção.

Acabei chegando em casa combailido, cansado e com as partes íntimas com cheiro de presuntada em lata vencida.