adamastor comenta a nova etiqueta
Minha avó paterna, mulher cabeça, intelectual e presepeira, era apaixonada por livros. Tinha uns mil livros, dos mais variados assuntos, mas a véia adorava mesmo era poesia.
Como eu fui seu único neto que apreciava a beleza da leitura, fui o herdeiro do seu acervo. Toda a aquela merdaiada empoeirada me foi presenteada pela finada senhora.
Muita coisa eu joguei fora, até porque, não preciso de antologias poéticas de comunistas gregos péla-sacos (perdoêm o tradicional pleonasmo).
Contudo, um livro eu fiz questão de guardar, porque não só é delicioso como também serve de base para o assunto do post de hoje.
O livro em questão é um antigo manual de etiqueta (não sei de cabeça os dados bibliográficos, mas prometo que um dia os porei aqui).
Ele ensina tudo: como se portar numa audiência com o Papa (deve-se beijar só o anel do Sumo Sacerdote. Essa coisa de três-beijinhos-pra-casar não pega bem com o Dr. Papa.), como comer aspargos, quais as ocasiões que as senhôras deveriam usar luvas, etc.
Uma parte que eu acho importante é a que fala sobre os encontros amorosos. Na época da edição do livro, que calculo ser dos anos 50, as moças casavam, em tese, virgens, e a boquinha da garrafa era banida totalmente da sociedade cristã.
O interessante é que todo mundo sabia como se portar. Você não ia comer a menina tão cedo, mas, ao menos, sabia como evoluir o relacionamento, pois cada etapa tinha suas formalidades.
Era aquela coisa: você conhecia a moça, era apresentado aos pais dela, depois, vinha o namoro, uns beijos, se fosse bom de lábia, rolava um peitinho e um bolagato no banco de trás do carro. Se você fosse realmente muito bom de conversa, conseguia ainda comer a menina.
Nesses bons tempos, os rapazes e as mocinhas sabiam como se portar.
Agora, meus amigos, nesses tempos apocalípticos pós-bug do milênio e pós-boquinha da garrafa, a coisa degringolou completo.
As formalidades da sociedade cristã foram derrubadas pelo movimento hippie e pelo roquenrol, que transformaram tudo numa grande putaria.
Cada mulher, agora, cria sua própria etiqueta.
É mais ou menos assim: tem meninas que só dão no terceiro encontro, sendo que, cada encontro, para ser contabilizado, precisa ocorrer em dias diferentes e durar, ao menos, 20 minutos. Já outras garotas dão no primeiro encontro, mas você precisa ouvir a egotrip dela de 40 minutos. Outras, por sua vez, só vão beijar no segundo encontro, e vão foder apenas depois de você conhecer os pais dela.
Como proceder em tais situações? Afinal, há meninas rapidinhas e outras que são mais lentinhas, e as formalidades, nesse caso, precisam ser seriamente obedecidas, caso o rapaz queira atingir o útero da senhorita.
Isso acaba confundindo a cabeça do homem moderno. Se ele agir muito rápido, e for logo querendo um peitinho, pode ser rotulado como maníaco do parque. Se for muito educadinho, vão achar que é gay, ou, pior, mórmon.
Acaba que o rapaz precisa de sensibilidade para agir em cada situação. Terá de fazer um julgamento de valor sempre que conhecer uma menina.
Depois eu explico como.