Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

29.12.03

Relatório de férias



Eu tinha planejado que, nesse exato momento, ao cair da tarde do dia 29 de dezembro de 2003, estaria no iate da família, batendo punheta tendo às garças por testemunha, e jogando Call of Duty no meu estiloso notebook com placa 3D.

Quem dera.

Graças à alguma macumba (andei pensando: seria um despacho de macumba uma demonstração de terrorismo? Vou pesquisar isso depois) deu tudo errado.

Choveu pra cacete. Fiquei resfriado. O jogo não reconheceu a placa 3D, fez cara de nojo e disse que a pobrezinha não rodava OpenGL. Preconceito racial com minha placa mexicana, a Tomato 3D.

E fiquei sem internet, mas isso é boa cousa.

Só a punheta, sempre ela, me salvou. A amiga certa das horas incertas. Graças a ela, às minhas 90.000 fotos de mulher pelada eu consegui alguma diversão nesse fim de ano(outro insight: alguém precisa desenvolver um programa que filtra, automaticamente, as fotos de putaria. Seria ótimo criar uma pasta "anal", "amadoras" ou "porra, tá parecendo travesti").

Aproveitei o ócio para compor algumas canções da minha banda, "Cinco crioulos num Chevette preto". Já criei, à base de Frutiyloops e meu de tecladinho Yamaha PSR-79, "Eu não sou mindingo" e "Sim para todos". Essa última eu dedico à Microsoft, que criou esse botão, ao lado do "Sim" e do "Não". É uma metáfora sobre a poligamia, penso eu.

Eu preciso contar algumas coisas pra vocês. Semana retrasada eu comi a Morena da Escada no Frescão, aquele ônibus com ar condicionado estiloso e prafrentex. Foi muito romântico e tenho certeza que a patuléia dos outros ônibus viu a cena. Rolou de tudo um pouco, menos o anal, que não pega bem, segundo a moral católica, nesses lugares públicos. É preciso muito sentimento e sensibilidade. Depois eu explico com mais detalhes. O Frescão é um ótimo lugar para comer alguém.

Vou passar novamente o reveillon em Copa, no meio da bicharada européia, dos macumbeiros, da classe média embriagada de cidra, dos vendedores de milho, dos mineiros perdidos e, como é de se esperar, dos porteiros que aproveitam o ensejo festivo para liberar o brioco no playground do prédio.