Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

9.12.03

cabra marcado para morrer



Todo mundo sabe que um dia vai morrer.

Acontece que ninguém conhece o motivo.

Eu também não sei qual fim o destino me reserva, mas tenho a impressão de que será por causa de uma xota.

Infelizmente, não por overdose, mas por uso inapropriado de vagina de propriedade alheia.

Explico.

Eu acho que já expliquei aqui que tava quase pegando a ex-mulher de um políça da federal. Conheci numa daquelas festas de adevogados, regadas à uísque, amendoins e demonstrações ostensivas de vaidade e egocentrismo.

Essa moça, que na verdade é uma senhôra de 40 anos, caiu na minha conversa e rolou um sentimento. Foram apenas uns beijinhos e um tradicional e clássico peitinho. Nada demais.

Vamos chamá-la de Lurdinha.

Loura malhada, viajada, bonita, gostosa e cosmopolita. Não sei o que uma mulher dessas faz com um brucutu, autoridade coatora (e segundo dizem, co-autora).

Acontece que, depois da merda feita, a mulher me conta que esse pequeno fato. E acrescenta dizendo que o seu ex é extremamente ciumento (?) e vive atrás dela. Parece que até grampeou a linha telefônica.

Juro que broxei.

Depois desse choque, nunca mais liguei pra Lurdinha. Tentei dar uns pegas na Morena da Escada, mas ela fez doce (a propósito, ela cedeu ao doce: vai ceder seus orifícios na quinta-feira. Já agendei.).

Ocorre que a Lurdinha me liga no sábado, com aquela voz de xoxota molhada, clamando por conhecer o motivo de que me chamam de "gigante pela própria natureza".

Eu juro que tentei fugir, amarelar e coisa e tal. Aquela mulher poderia custar a minha vida, mas a sedução foi tanta que saí com a coroa.

Fiz conforme manda a etiqueta: levei pra jantar, paguei a conta, levei pro Panda e dei-lhe uma lição à nivel de útero.

O bom de se comer uma coroa é que elas cansam rápido. Quarenta minutos, contando o couvert artístico e a entrada, já é suficiente pra cansar a xota. Se fosse uma fedelha da nova geração, criada nas academias de ginástica com esses suquinhos com trangênicos, eu iria levar umas boas 2 horas.

Creio que cumpri meu papel, pois Lurdinha foi embora com a buceta arfante e feliz.

Já no domingo a tarde, ela me liga assustada, dizendo que, após a fudelança, ao chegar no prédio, viu que o ex a esperava na porta. Rolou um barraco e ela tomou umas porradas na cara. Segundo consta, ela apanhou na cara duas vezes naquele dia, sendo que uma foi comigo, mas foram tapinhas leves, de mão aberta.

Ela acabou na delegacia, fazendo registro de ocorrência e tendo que ir no IML fazer corpo de delito. Foi uma tremenda confusão.

Se não bastasse isso, o camarada quer descobrir com quem ela saiu. A Lurdinha me disse que negou tudo, disse que foi jogar biriba com a prima no Irajá.

O federal não acreditou e jurou pegar de porrada o malandro que estava comendo a sua ex-mulher.

Minha solução: fazer como no mundo encantando do ICQ: ficar invisible durante um tempo.

Eu realmente só (me) meto com mulheres complicados.

Ô praga de madrinha.