Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

5.11.03

O cafezinho mais caro do Rio



Fim de ano é uma desgraça pro advogado. É a correria com os processos, pra faturar mais um extra pras festas de fim de ano, e comprar um presente pra adoçar a boca da criançada.

Mesmo atravessando fase com problemas familiares (minha mãe jogou fora, sem querer querendo, minha estilosa escova de dentes de 10 real. Cobrei perdas e danos da minha genitora.), estou trabalhando quase que dez horas por dia. Regime de trabalho Escrava Isaura.

Apesar dessas vicissitudes, que me impedem de escrever nesse festejado blog, venho aqui contar aos meus leitores a experiência que passei nessa segunda-feira, quando conheci (e experimentei) o cafezinho mais caro do Rio de Janeiro.

Custa R$ 1,50, e dá direito a um copinho de água gasosa e a um biscoitinho amanteigado minúsculo, sabor xoxota suada.

Vou dizer: não é nada demais. Qualquer Viena tem coisa melhor.

Apesar disso, o lugar onde vende tal acepipe (eu gosto da palavra "guloseima", aliás, sempre rio quando pronuncio "guloseima". Acho "guloseima" uma palavra engraçadissima. Ok, eu sou retardado.) fica sempre lotado. Parece até a geral do Maracanã, aquele estádio de futebol com cheiro de mijo onde o pai do Só no Sapatinho perdia seus pênaltis.

Porque tanta gente gosta desse minguado cafezinho?

Respondo. As atendentes do lugar são moçoilas com microssaias e superdecotes. Fazem o estilo "puta de 50 real". Aliás, o lugar tem uma aura putanística, apesar de ser um bar pequeno, com poucas mesas e uma bancada.

As meninas tem todo o modus operandi das profissionais do amor: te tratam com gentileza, dizem que você é lindo (juro que acreditei) e ainda acham graça de tudo o que você diz.

A minha preferida foi a morena de olhos azuis, com um quê de Juliete Lewis, a putinha daquele filme merda do Oliver Stone, o maconheiro engajado.

Quem me levou lá foi o Dr. Canelão, um advogado amigo meu, que é um verdadeiro guia Quatro Rodas (eu ia escrever "guia Michelin", mas sei que alguns leitores, que pertencem à classe média e lêem "O Dia", não iam entender o pequeno gracejo) do universo putístico.

Não sei quanto as meninas cobram pelo serviço completo, mas posso me informar, se algum leitor quiser um bate-saco.

O nome do lugar é "Café com Pernas", e fica na Rua Buenos Aires, no Centro da Cidade.