Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

18.11.03

Limpando as gavetas



Hoje fui limpar as gavetas do meu criado-mudo. Apesar de mudo, fiz o móvel assinar um contrato de privacidade, onde não poderia revelar a minha vida íntima a nível de quarto (perdoem o jogo de palavras sem graça).

Tirei os filmes pornôs que não me interessavam mais. Joguei fora "Raspadinhas à Francesa"; "O casamento anal" e uns do Buttman, que perderam a graça com o advento da Nova Ordem Mundial.

Livrei-me também dos tubos velhos de KY, das camisinhas Jontex (troquei pelas da Prudence, que são mais largas) e ainda do desodorante Gilette que uso para aspegir no quarto, pra tirar aquela nhaca de xoxota suada.

Joguei muita coisa fora, mas guardei todas as minhas calcinhas de estimação.Isso é porque eu tenho a minha política: se a moça conheceu meu cafofo e deu para minha pessoa, é imperioso deixar a calcinha, a título de estatística e de tara sexual.

Tenho um monte. Praticamente uma gaveta cheia, mas estão escondidas debaixo do livro de "Introdução ao Estudo do Direito". Ninguém vai querer ler essa porra.

O curioso é que nenhuma das meninas sabia dessa minha coleção. Eu sempre dizia que era a única. Que eu queria guardar o cheiro dela para sempre. Ou seja, aquele papo cafajeste de sempre, que as mulheres querem ouvir, mas dizem que não gostam.