Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

8.11.03

Adamastor de aparelho?



Durante 4 anos de minha adolescência, usei aparelho nos meus dentes, visando curar a minha proeminente dentuça, que me rendia o criativo apelido de "Coelho". Foi um sofrimento. Ainda bem (?) que eu não tinha vida afetivo-sexual. Tive de arrancar 4 dentes, dois em cada arcada. O que me consolava era a série "Batman, Cavaleiro das Trevas", recém-lançada.

Pensei que o sofrimento tinha acabado.

Há mais ou menos uns 3 anos, um dos meus dentes inferiores da parte posterior (incisivos?) resolveu ficar "deslocado". Ficou meio feinho, uma coisa meio Francisco Cuoco.

Resolvi visitar o Dr. Dentista e ver qual era da situação.

Dois doutores espiavam minha boca aberta. Falavam coisas incompreensíveis, como "splintar em zigue-zague" e uma outra coisa que parecia ser uma doença sexualmente transmissível. Fiquei com medo.

Diagnóstico: minha mordida comprime o queixo, que, por sua vez, comprime os dentes, desalinhando-os.

Cura: botar aparelho. De novo. Período: um ano e meio.

O doutor queria que eu fechasse o negócio logo de uma vez. Resolvi pensar. Agora, até que provem o contrário, tenho vida afetivo-sexual. Beijo na boca e na xoxota (não de todas, tem de rolar um sentimento e uma confiança). Como faria isso com toda aquela parafernália na boca? Sem falar que eu iria ficar ainda mais feio. Ia ter de cortar um dobrado pra comer alguém.

Resolvi deixar o aparelho pra 2010. Que se foda. Vou ficar meio desalinhado, mas vou pegar geral. Beijar essa putada moderna e desinibida. E encarar muita xoxota, porque, afinal das contas, é por isso que nós lutamos, como diria a 101a. Airborne.