Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

17.11.03

adamastor critica matrix revolutions



Fui assistir no sábado o filme ultra-cool-blockbuster do ano: "Matrix Revolutions", que fecharia a saga cyber-cabeça de Neo, Trinity e seus amiguinhos.

Prometi que levaria o staff do Trololó Advogados, mas resolvi, de última hora, ir sozinho. Não quero dar intimidades à patuléia. Patrão que trata empregado com muita boa vontade acaba se ferrando. E que se foda-se.

Matrix Revolutions foi anunciado como o filme que concluiria a trilogia, esclarecendo todas as zilhões de perguntas que o seu antecessor deixou no ar.

Além disso, Revolutions foi considerado, pela nerdalhada que o assistiu na estréia, como um filme altamente intelectual e filosófico. Se você não entender a estória é porque você é um pobre diabo, semi-analfabeto e que merece todo o desprezo da raça superior.

Conversa fiada.

Eu não sou nenhum gênio. Aliás, graças a esse blog, tenho o falso status de intelectual, inteligente e criativo. Não acreditem nisso. Sou um sujeito mediano, que nunca leu Rachel de Queiroz, mas sabe nominar uma estrela pornô das Filipinas (resposta: Alma Chua, uma peitudinha com cara dimenó. Podem procurar nos Googles da vida).

Mas acontece que, por obra do destino, eu sou advogado. Defendo os meus clientes das vicissitudes e picaretagens humanas. Portanto, sei reconhecer um trambique quando vejo um, ainda que subreptício (palavrinha bacana essa, né?).

Pois bem, Matrix Revolutions é uma fraude. Um engodo. Um conto do vigário. Um-sete-um.

Matrix Revolutions não tem um roteiro contínuo, bem trabalhando, onde se pode entender exatamente o que se passa na tela.

Tudo é subjetivo, mas tudo mesmo. Acaba que o espectador vira um roteirista, tendo que preencher, com sua imaginação, inteligência e paciência, os espaços em branco que os Irmãos Waxoxota deixaram.

Acontece que são tantos os buracos a se preencher que o filme fica ininteligível. Nada faz sentido. Ninguém entende porque os poderes mágicos do Neo funcionam no mundo real, qual a importância do Merovígio e da peituda Persérfone, se existe ou não uma matrix dentro da matrix. Nada disso é explicado.

Parece até que os Waxoxota contrataram o lendário Chris Carter, um surfista que fez fortuna enganando nerds com o seriado "Arquivo X".

Nessa série, quase todos os episódios terminavam com uma interrogação, que jamais seria apagada. A única coisa de que se teve certeza é que o Mulder papou a Scully.

Essa subjetividade do Matrix Revolutions não foi uma manifestação de inteligência dos Waxoxota. Foi picaretagem mesmo. Foi carlinhosbrownzice. Não tinham a menor idéia do que fazer e tascaram qualquer merda, pra ver se colava.

Parece que não colou. O polvo não caiu nessa. Apesar da estréia esmagadora, Matrix Revolutions teve uma queda de 61% na segunda semana de exibição, nos EUA, sendo ultrapassado por um filme de Natal imbecil, protagonizado por um retardado do Saturday Night Live.

Dou nota 2 (dois) pra essa porra. Só por causa do crioulo do "OZ", do Agente Smith e da Monica Belluci e seus portentosos, fartos e imponentes peitos, que representam o que de melhor pode oferecer a nação italiana.

Ah, mais uma coisa: querido leitor, se o seu amiguinho übernerd disse que entendeu tudo e lhe chamou de burro, sugiro um pescotapa bem dado no infeliz, pra deixar de ser mentiroso.