Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

8.10.03

segunda parte da putaria supramencionada



A aniversariante, que atende por Denise, avisou-me que iria chegar pontualmente às 10:30 da noite, e deixaria o meu convite na porta do puteiro, digo, boate.

Cheguei às 11 da noite e dirigi-me ao gorila que exercia os misteres de segurança. Numa linguagem exageradamente formal, o sujeito me disse que "é política da casa evitar que se deixe convites na portaria". Evitei perguntar quais os fundamentos dessa política, e se haveria algum documento que arrolasse todas as políticas da casa, para que eu soubesse os princípios básicos que norteiam o funcionamento daquele estabelecimento.

Pensei bem e resolvi ficar quieto. O cara poderia achar que era sacanagem minha e me dar uma coça. O jeito foi agradecer a gentileza da informação e ligar para moça.

Enquanto assistia a cena dantesca de gordinhas de top, exibindo orgulhosamente suas panças tratadas à feijão manteiga e carne seca, saquei o meu estiloso celular Motorolla (TM) e liguei pra menina:

- Alô, Denise. Tô aqui na porta. O segurança não me deixou entrar. Dá pra você chegar na porta e me entregar o convite?

- Oi, Ada. Me desculpa, eu ainda tô em casa trocando de roupa. É que tem muita mulher aqui em casa, tá a maior zona. Ouve só.

Ouvi a gritaria. Deviam ser umas dez garotas, segundo o meu ouvido apurado. Tremenda putaria reinante. Resolvi aceitar o atraso:

- Ah, tudo bem. Quanto mais, melhor. Em quanto tempo você vem?

- Em meia hora eu tô aí.

Então, sentei na calçada e esperei. Comprei uma Kaiser com uma vovó e fiquei observando aquela fauna. Vi dois negões de óculos laranja, um sujeito de turbante, uma gordo ruivo com chapéu de cafetão e ainda uma cover da Lacraia. Comecei a achar que eram os efeitos psicotrópicos da mistura do meu Mentex (tm) com a cerva.

O meu horror distraiu meus pensamentos e a meia hora passou rápido. E nada da mulherada. E passaram-se 50 minutos. E nada.

Pensei que era um trote. Que ela achou que eu era idiota e carente e resolveu me sacanear. Humilhar um sujeito carente e frágil sentimentalmente era o fim do mundo. Até pensei em vingança, mas, na hora em que xingava a Denise em latim, que aprendi com meu avô, a putada aparece. Nunca vi tanta mulher junta.

Denise estava linda no seu vestido preto, apesar de ser uma roupa desapropriada praquele pardieiro pulguento. O decote realçava seus fartos seios, mas eu só olhei de relance, pois ela estava com seu namorado, um libanês horroroso e - pasmem- com um nariz maior que o meu.

Fizemos o contato inicial, com beijinhos e saudações educadas e polidas. Daí ela chamou a mulherada e me apresentou. A primeira era professora de educação física, morena e uma gracinha - vi que seria o meu alvo primário. A segunda era uma elfa - só faltavam os pés peludos: se eu não pegar a primeira, essa vai ser o backup. A terceira era Mohtra, aquele arqui-inimigo gigantesco do Godzilla: dispensa-se qualquer comentário. A quarta era a irmã mais velha da Denise: tinha seus 30 e muitos anos, tava meio sambada pela vida, mas ainda merecia um amasso: vou deixá-la como meu segundo backup.
As outras não merecem menção: eram seres mitológicos do Tolkien. Uma acho que parecia com a Barbárvore. Tinha de me afastar delas.

Ainda fui apresentado ao amigo da Denise, um florido mancebo chamado Pablo. Como vocês sabem, Pablo é nome de viado. Acho que disse tudo do rapaz, saltitante e educado.

Enquanto esperávamos na fila, conversava alegremente com a professorinha, peitudinha e bundundinha. Sei que lidar com professoras de educação física exige cuidado: nada de sarcasmos e ironias: essa gente não entende as sutilezas da linguagem. O jeito é falar sobre abdominais, séries e dietas. Acontece que minha corte à professorinha foi interrompida por Mohtra, que, com seus 1,90 x 4,00 m, resolveu ter a ousadia de me dirigir a palavra, sem antes esfregar seus peitorais na minha cara. Sentia o bafo de pasta de dente Phillips e a catinga adocicada de Leite de Rosas.

Queria vomitar, pois o cheiro de Leite de Rosas era demais pra minhas imensas narinas. Fiquei vesgo e senti a pressão cair.

A sorte que o percebeu o meu sofrimento e interveio, afastando Mothra de mim e a levando para o fim da fila.

Nunca fiquei tão feliz em ver uma bichinha.

PS: Espero que a galera da minha rua não leia isso.