Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

11.10.03

Putaria na Symbol - parte III: a ameaça fantasma (ou Mothra ataca a Almirante Barroso)



Consegui entrar naquele antro, após ser revistado pelos seguranças, que insistiram em passar o detector de metais em minha bunda (não me lembro de ter enfiado instrumentos metálicos em minhas intimidades, embora minha memória seja um tanto vaga para atos libidinosos).

O primeiro andar da boate era para ser um lounge. Eu disse que era, porque a patuléia ignorava esse conceito, fazendo passinhos de funk e rebolado exageradamente naquele espaço. Guiei a barangada presente para a mesa da aniversariante, no segundo pavimento (vejam como sou bom escritor: usei "pavimento" para não repetir "andar" no mesmo parágrafo) mas sem perder o contato com a professorinha gostosinha.

A mesa ficava perto da pista de dança, onde hordas de barangas ensaiavam a dança tribal do acasalamento, ajeitando suas madeixas empastadas de Alisabel. Tentei sentar perto da professorinha, mas fiquei entre o viadinho e Mohtra.

Imaginem só eu, Adamastor Rogério da Silva, entre o simpático viadinho e o arqui-inimigo do Godzilla.

O viadinho puxou papo, tentou conversar sobre fotografia e arte, suas paixões, mas, sinceramente, o único assunto que compartilho com um homem é justamente sobre o que ele não gosta: buceta. Só buceta me interessa. Não me interesso pelas difíceis peças de Rachmaninoff, sobre a verve literária de Oscar Wilde ou sobre a importância dos templários para a civilização moderno. Sou um rapaz bucetocêntrico.

Nossa conversa não rendeu muito. Ele se levantou e foi dançar, requebrando-se furiosamente. Não sei se os gays dançam assim mesmo, ou talvez ele tenha ficado puto comigo. Nem me interessa.

A professorinha se levantou e me chamou pra dançar. Embora meus passos de dança lembrem uma crise epiléptica, tomei a segunda cerveja e fui atrás da moreninha, fazendo questão de esfregar minhas partes pudendas na bundinha dura da diliça.

Mas a coisa não foi tão feliz:na pista de dança, Mothra se encaixou atrás da minha pessoa. Senti aquele imenso tufo de pentelhos nunca dantes desvendados e depilados roçando meu frágil traseiro. Foi assustador. Dei um coice na xota peluda da gorda, que ficou parada na pista escura , tentando descobrir de onde veio aquela agressão.

De repente, virou uma emboscada. As outras barangas raivosas me afastaram da professorinha. Barbárvore e a elfa me cercaram e fizeram um sanduíche de Adamastor. A elfa esfregando a bunda e a outra criatura me sarrando por trás. Tentei achar a professorinha, mas a sarração era tão frenética, que não conseguia reconhecer os rostos. Espero que ninguém conhecido tenha me visto nessa humilhante situação.

Tocava na pista a singela "Lick my neck, lick my back", onde a barangada em peso (não é força de expressão) cantava o refrão "lick my pussy/lick my crack", sem entender obviamente o significado disso.

Nesse momento, as barangas se afastam e Mothra ressurge por detrás do gelo seco, como se tivesse despertado de seu milenar sono.

Fiquei petrificado, esperando pelo pior.

Ela resolve me sarrar pela frente, esfregando sua calça de lycra falsificada no meu Hugo Bossta importado. Obviamente, as duas peças são totalmente diferentes, e saiu faíscas nesse momento.

Mothra segura as minhas mãos e pede pra que eu olhe em seus olhos. Não consegui. Fiquei olhando o chão, implorando silenciosamente por uma morte rápida, indolor e honrosa.

Nessa hora, em que tudo parecia perdido, a professorinha gostosa aparece e me tira daquela indecência.

Ela presenciou toda a putaria e, quando parecia que eu ia fraquejar e ser estuprado, sou puxado daquele chumaço humano de pentelhos.

Dancei quase uma hora com a professorinha, com direito a muita esfregação, mas sem beijo, porque ela relutava em molhar sua boquinha em minha beiçola.

Aí entra aquele ancestral segredo masculino: quando a mulher dá condição, mas faz doce, embriague a xereca.

Levei a professorinha pra nossa mesa, onde tinha uma garrafa de champagne (daqueles nacionais, com gosto de mijo) e fiz a pobrezinha tomar três taças de uma vez só.

Daí, ela ficou levinha, com riso e xoxota soltos. Levei-a pro lounge, desalojei uns hip-hopeiros e mandei ver na guria, com direito couvert artístico e tudo mais.

Fiquei lá até cansar da professorinha boa de corpo e jeitosa.

Antes de sair, ainda fiz uma boa ação.

Um mané, com aquela camisa da promoção da Taco, resolveu agarrar uma das baranguinhas do grupo e forçar um beijo. É aquela coisa de péla-saco, típico de quem torce praquele time cor-de-exu (pra quem não entende do basfond carioca: é o Framengo, o time do Zico, aquele rapaz pé frio, perdedor de penalti, que botou no mundo uma aberração que canta "Só no sapatinho").

Enquanto o mané se debatia com a pobre feiosinha, aproximei-me sutilmente e pedi licença ao mancebo, dizendo que "ela é a minha mãe, eu preciso levá-la embora".

O sujeito ficou me olhando com cara de bobo, imóvel. Parecia ensaiar um raciocínio.

Apesar do trauma de ter enfrentando todas as hordas do tinhoso, fui pra casa feliz da vida, depois de ter agarrado uma fedelha.

Isso prova que a terapia e os remédios de tarja-preto fizeram bem à minha pessoa, recuperando minha auto-estima e minha virilidade macha.

Espero que o meu dileto amiguinho André L.R.G. tenha aprendido essa valiosa e sofrida lição...