Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

7.10.03

Prestação de contas



Na semana passada eu parecia uma adolescente problemática (perdão pelo pleonasmo), com seus probleminhas sentimentais bobos. Na verdade, eu só não tinha dúvida no modelo de roupa que usaria, pois sei diferenciar roupa-pra-putaria de roupa-comportada.

Jura e Dr. Suverktor ajudaram-me na escolha da festa em que eu deveria ir, que seria a do Lendário Wellington, que já é tradicional no underground da comunidade do totó (acreditem:realmente existe uma comunidade underground de totó).

Ocorre que, para a surpresa dos meus parcos leitores, eu não fui nessa festa.

E nem na festa do pai da Cabacinha.

E nem fui jogar Counter-strike com os adolescentes bobos (perdão novamente pelo pleonasmo).

Aconteceu uma reviravolta (eu ia usar a palavra "revertério", mas só emprego esse termo quando estou com dor de barriga).

Explico.

No sábado a tarde, fui na academia malhar e ser ridicularizado pelos brucutus malhadores, gigantes que levantam 10 vezes mais peso do que eu, mas que, a despeito de toda essa aparente virilidade, curtem arquitetura e o "babado forte", seja lá o que isso signfique.

Enquanto tentava manter minha dignidade levantado meia dúzia de pesos, encontrei uma menina que sempre faz spinning comigo, e ri da minha cara de sofrimento. Ela veio conversar comigo, falamos algumas banalidades e ela ainda disse que a minha cara de dor é a grande graça daquela aula. Fianlizando, me convidou para sua festa de aniversário, naquele mesmo dia, na boate Symbol, no Centro da Cidade. E ainda repetiu várias vezes que ia chamar as "amiguinhas da faculdade". Aí tocou no meu ponto fraco. Adoro fedelha de faculdade, com suas preocupações em "botar a matéria na grade". Topei na hora.

Corri pra casa e avisei pro Lendário Wellington que não poderia ir na festa. Ele ficou levemente chateado, porque o rapaz é blasé e não se importa muito com as coisas, mas perguntou o que eu iria fazer. Eu falei a verdade: "eu vou caçar umas universitárias". Como bom amigo que é, o Lendário Welligton perdoou-me, abençoou-me e desejou boa sorte.

Informo aos leitores que a Symbol é uma daquelas boates de mulheres perdidas, com seus tops exageradamente decotados e suas calcinhas minúsculas (anotem aí o Teorema de Adamastor: a moral de uma mulher é diretamente proporcional ao ângulo formado pelo vértice inferior de sua calcinha).

Mas na fauna daquele local eu poderia encontrar as gordinhas de preto (falando nisso, cadê a Tayra?), a turma da Radeon, os paulistas com suas costeletas fashion e suas gírias impronunciáveis, as secretárias solteironas, enfim, toda aquela gente que Clive Baker se inspirou para criaro seu livro "Raça das Trevas".

Haveria o risco de eu terminar a noite fedendo a Leite de Rosas ou, pior, à Desodorante Gillete, mas eu precisava pegar uma universitária.

Tentei chamar mais algum amigo, pra servir de contenção, mas todos eles, ao ouvirem o nome da boate, correram pela rua, gritando de desepero e dor.

Então, lá fui eu sozinho, arrumadinho e com uma cueca nova.

Amanhã eu continuo essa bobagem, digo, estória.