Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

15.10.03

Epidemia



Lembrei-me dessa estória verídica enquanto conversava no ICQ com o mestre Stimpy.

Vocês vão achar que é mais de uma das minhas tradicionais mentiras, mas acreditem no seu bom titio. É verdade.

Lá vai.

Em meados de 1996, eu era um inocente estudante universitário, um jovem feiosinho perante uma horda barulhenta de barangas, maltrapilhas e afins.

Uma das barangas chamava atenção pela marra com que tratava seus colegas. Parecia que ignorava sua triste figura. Era mulata, bunduda, porém, nanica, feiosa, de cabelo exageradamente ruim, com a pele espinhenta e gosto exagerado para roupas.

Seu nariz em pé derivava, principalmente, do fato de seu pai ser juiz classista, que era um tipo de juiz trabalhista que não era concursado e nem sabia ler.

Pois bem, uma vez explicitada as filigranas subjetivas de nossa personagem, passemos aos fatos em si.

Certa feita, a moça inscreveu-se no corpo de estagiários de determinado órgão público.

Em pouco tempo, ficou popular entre seus colegas, haja vista sua situação de "filha de juiz".

Por uma daquelas ironias inexplicáveis dessa misteriosa natureza que nos cerca, a moça passou a ser cobiçada pelos seus pares.

Com tanta possibilidade de escolha, a moça não perdeu tempo em dúvidas: resolveu dar pra todo mundo. Pra todo mundo mesmo, do mais ensebado estagiário até o chefe do seu setor.

O resultado não poderia ser mais desastroso: a moça provocou uma verdadeira epidemia de gonorréia. A temida peste negra, da Idade Média, não causou tamanha desgraça.

Quinze rapazes tombaram ante a xoxota envenenada da menina. A repartição precisou suspender suas atividades. Criou-se uma situação de paranóia. As pessoas tinham receio de usar o bebedouro e os vasos sanitários.

As moças de bem, que eram poucas, é verdade, se recusavam a trabalhar.

O lugar precisou ser lacrado e desinfetado. Até chamaram um pai-de-santo que, com o auxílio da tradicional galinha, iria dar um fim àquela situação.

Pasmem. Até a galinha pegou gonorréia.

Mas a Ciência é lutadora e os incríveis antibióticos venceram a batalha. Os gonococos foram extirpados e tudo voltou ao normal.

A moça recebeu uma advertência apenas. Os rapazes ficaram um tempo de cama, mijando giletes.

No fim, tudo deu certo.

Só ficou uma sequela, apenas.

A menina tem o apelido, até hoje, de "Gono".