Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

20.10.03

Bateu um sentimento



É bem verdade que preciso atualizar com mais frequência, mas os leitores já conhecem as minhas desculpas... :)

Aconteceu muita coisa na semana passada. Muita mesma. Desde um boquete quase-revival até uma tarde inteira perdida entre as velhas gordas do Ilustre Ministério da Fazenda.

Com tantas estórias interessantes (?) pra contar, escolhi narrar os últimos acontecimentos das minhas aventuras amorosas, o que é a razão da existência desse blog.

Retrocedendo os fatos, os leitores bem sabem que, depois da festa da Symbol, aindei pegando uma professorinha de educação física. Coisa fina. Fomos ao cinema uma vez, e ela fez um tremendo doce. Foram parcos e minguados beijinhos. Já fiquei puto.

Ela havia prometido me ligar nesse sábado. Iríamos sair pra jantar.

Como a moça não ligou até às 21:00 h, resolvi bater um fio pro celular da moça, pra ver no que dá.

Como sou uma besta notória, acabei ligando pra Menina da Escada, que tem o mesmo nome da professorinha.

Ela atende cheia de amor pra dar. Dava pra ouvir no fundo um barulhão. A bandida estava num pagode.

Eu, ao invés de desligar na cara, tive de dizer que tinha ligado pra "ver como ela tava". Foram cinco minutos de polidez diplomática. Poderia ter desligado na cara, apesar do bina do celular registrar o meu telefone? Poderia, mas não se maltrata quem a gente já comeu. Um dia você pode precisar novamente de sua tenra xota.

Depois dessa presepada, liguei para o celular da professorinha. Tocou, tocou e não atendeu.

Realmente, ela me deu um bolo.

Então, eu poderia escolher: sofrer, num momento mulherzinha, em que me entupiria de comida, assistindo algum filme romântico, que me fizesse crer que realmente há o amor verdadeiro (apesar do galã ser gay), ou, o que é mais adequado à minha composição cromossômica: sair com os amigos e pegar as meninas perdidas, aqueles que não merecem nosso amor e sentimentos, mas apenas a nossa vara?

Segunda opção, claro.

Eu diria que foi o de sempre. Tentei dar uns pegas na bonitinha do lugar. Não deu certo, tomei uns foras. Enchi a cara e agarrei a gordinha peituda e carente. Prometi ligar depois. Não vou ligar. A gordinha vai ficar triste, decepcionada e irada, nessa ordem, vai estudar muito e ser funcionária do Ministério da Fazenda, onde se vingará da Humanidade impondo burocracias sem pé nem cabeça.

No domingo à noite, liguei pra professorinha, cordialmente. Ela estava com uma voz meio triste. Disse que não poderia sair comigo, porque precisava arrumar o seu plano de aula. Ela falou que não me ligou porque tinha saído pra jantar com os pais. Perguntei se tudo estava bem, e ela disse que "estava triste por causa do resfriado". Daí perguntei se poderia ligar outras vezes, e ela disse que sim, mas meio desinteressada.

Não entendi. Depressão? Ansiedade? Mau olhado? Cu doce? Desinteresse?

Por isso que o Oscar Wilde, mesmo sendo gay, cunho a brilhante e perspicaz frase: "as mulheres foram feitas para serem amadas, não para serem compreendidas".

PS: atualizem a frase, por favor: onde está escrito "amadas", troque por "comidas".