Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

29.9.03

a vida é bela, mas o cu é doce



Meu fim de semana festivo e erótico foi pras cucuias. O cu doce conseguiu mais uma vitória, deixando este que vos escreve a ver navios.

Relembrando rapidamente os fatos: eu havia agendado um bate-saco com a Morena da Escada, que aconteceria nesse sábado. Mas, como eu já adiantei no parágrafo anterior, nada deu certo.

Por volta das seis da noite de sábado, ligo pra morena pra ver se já estava pronta. Atende uma voz incrivelmente melosa e suspirante:

- OOOi, Adamastor, tudo bem?
- Oi, minha linda, tudo ótimo? Já tá pronta?
- Aaah, Ada, eu tô querendo fazer um outro tipo de programa...

Tento controlar meu espanto e irritação. Percebo a atuação do cu doce e dou um pouco de linha:

- Que tipo de programa?
- Ah, você poderia vir aqui, conhecer meus pais, ou a gente poderia fazer uma coisa mais light.
- Hã? Como assim? A gente não combinou de ir no motel (eu ia falar "foder" ao invés de "ir no motel", mas a minha diplomacia falou mais alto nesse delicado momento)
- Olha, Adamastor, eu acho que a gente tá com uma falta de sintonia. Você tá querendo uma coisa e eu, outra. Eu tenho carinho por você e vou guardar boas lembranças de nós dois.

Reparem bem, leitores: ela faz a ameaça : ou vira namoradinho, ou não vou mais ver a sua cara. Preferi me fazer de bobo, o que não é difícil:

- Que tipo de coisa que você quer?

Ela engasgou, soluçou, gaguejou, mas não disse a verdade. Limitou-se a dizer:

- Olha, a gente precisar conversar pessoalmente sobre isso, tá?

Como eu já estava suficientemente puto e decepcionado sem a minha trepada, concordei com essa última proposta:

- Ok, a gente conversa, mas não hoje. A gente se vê outro dia. Hoje não tem clima, né?

- Ah, mas vem pra cá, a gente fica junto com minha família.

Aproveitei e fiz um pouco de chantagem emocional + dissimulação:

- Não dá, tô meio chateado. Vou ser uma companhia chata. Teus pais vão acabar me achando um mala. Outro dia eu passo aí. Um beijo e boa noite.

Desliguei o telefone e me senti estranhamente aliviado. Meu fim de semana resumiu-se a comer maria-mole e jogar CounterStrike com um bando de adolescentes imberbes. Pela primeira vez na estória do cybercafé onde joguei, não teve o famoso "team killer", que é o odioso ato de se matar um jogador do mesmo time. A primeira vez que isso aconteceu, logo bradei que iria enfiar o punho nas pregas anais do infeliz que ousasse fazer isso de novo. Deu certo e toda a pirralhada jogou civilizadamente. Essa é a vantagem de ser um quase-balzaquiano imaturo.

Claro que, pra fazer tudo isso sem ficar chateado ou decepcionado, tomei meu tarja-preta amigo.

Com receita, Florentina. :)

Considerações:

01. Vou ter de acabar com essa pegação. Nunca tive pretensão de namorar a Morena. Aliás, nunca conversamos sobre isso. Aliás aliás, as poucas vezes que a garota falou, não foi sobre "relacionamentos". Nunca tivemos momentos românticos, apenas luxúria desenfreada.

02. Dói no coração, aliás, dói na região genital essa separação. A morena, sem dúvida alguma, foi a mulher mais gostosa que eu já peguei e que já pegarei nessa vida. Se eu colocasse aqui uma foto da menina, de bikini, inclusive, os meus leitores iam ficar impressionados e perguntariam: "como um imbecil feioso desses conseguiu esse mulherão?". É claro que, por motivos éticos e legais, não posso mostrar essa foto.

03. Além disso, ela adequa-se ao tipo "mulher pra comer", que é aquela em que o único contato íntimo que se deve ter é com seus orifícios (exceto as fossas nasais). Qualquer outro contato desse quilate indicará desastre afetivo e possibilidade de ser corno.