Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

22.9.03

Trepada na escada



Alguns leitores têm me perguntado o motivo de não citar mais a menina-do-boquete-na-escada-de-incêndio.

Pois vou contar a verdade: passei a ter medo da guria.

Calma lá. Vou explicar o motivo. Não virei gay (apesar dos protestos da Vivi... ).

Essa coisa de indecência na escada começou por idéia dela. Eu topei, por achar divertido e por não ter de gastar com motel.

Acontece que, de uns tempos pra cá, a menina cismou de querer fazer mais estripulias na escada. Não queria limitar-se aos boquetes e as dedadas (nela, que fique bem entendido).

A boqueteira ficou pentelhando a minha paciência para transar na escada de incêndio. Até planejou tudo: apareceria de saia, sem calcinha, me levaria pro último andar do prédio em que trabalhava, que está vazio, e iria ceder temporariamente, sem ônus, sua xota.

Vou confessar aos meus caros leitores que já fiz isso, no tempo em que pegava as ardilosas putas da Av. Atlântica, mas nessa época eu era um jovem estudante de direito e, se fosse flagrado pela polícia, só iria tomar um esporro da minha mãe, D. Mocinha.

Agora eu sou um adevogado. Apesar de ser um tarado pervertido, mantenho a fachada de bom sujeito, que cumpre as suas obrigações morais, religiosas, fiscais e tributárias.

Imaginem se eu for flagrado, de terno e gravata, cobrindo a menina? Vou ser uma espécie de Hugh Grant tupiniquim.

Todas as minhas clientes vovozinhas (minha "carteira da terceira idade") vão me abandonar.

Acontece que a menina está irredutível. Quer porque quer trepar na escada.

E eu até falei que a levaria no Panda, aquele motel jeitoso em Botafogo, em que a gente só deve levar carne de primeira.

O que eu faço, criançada?