Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

27.9.03

Clube de regatas cu doce futebol clube



Comecei a sofrer os efeitos da mais antiga e eficiente arma sexual feminina: o cu doce.

É aquela coisa: "eu digo não, mas se você insistir muito, eu deixo você me comer".

Deixa o titio explicar o assunto no seu contexto histórico.

O cu doce já foi muito eficiente nos tempos em que o sexo requeria formalidades e táticas de cortejo: um sorriso, depois um telefone, um jantar, um cinema, um beijinho, um peitinho, uma gulosa, outro peito, outro quequete, mais um beijinho. Dai vinha a tão desejada transa. Se o rapaz fosse bom de lábia ou um desses jedis do sexo, até conseguia um anal. Mas era coisa pra profissionais. A exceção a essa regra é a empregada doméstica, que sempre foi uma instituição no requisito trepada, desde a época da escravatura. Uma mulatinha sempre teve o seu sabor, com o devido respeito.

Agora, nesses anos dois-mil, foder é o que se denomina de "contrato-relâmpago": as "parte" chegam a um consenso e vão trepar. Sem muita cerimônia. Às vezes nem tem beijinho, o rapaz já cai dentro e manda ver.

Assim, o cu doce vem perdendo sua eficácia, pois, se a garota valorizar muito os seus orifícios, corre o risco de morrer virgem, tendo em vista que uma "concorrente" vai dar sem exigir CPF, fiador ou testemunhas.

Apesar disso, estou sendo vítima dessa ardilosa artimanha feminina, como disse supracitadamente.

Em primeiro lugar, foi a Cabacinha. Cabacinha me deu o telefone e conversou horas no telefone comigo (sem saber que eu estava de pau duro, claro). Até saiu comigo, mas falou que gostava dum tenistazinho mexicano. Disse que não estava apaixonada pelo galãzinho mariachi, mas ainda assim apreciava essa peste.

Hoje encontrei uma amiga da Cabacinha, amiga esta que é gente boa e até dá uma força pra minha pessoa. Eu falei pra ela que já tinham chegado na minha frente. Aliás, um tenista mexicano, com cara de chupa-cabra e cintilantes olhinhos azuis. Ela respondeu com uma típica frase de homem-palhaço: "não existe mulher difícil, o que existe mulher mal cantada". Falou pra eu insistir, que eu tinha grandes chances. Mais ela não disse. Só sei que o pai da menina também entrou na campanha de apoio pra eu comer a filha dele. Ele acha que eu sou rapaz direito, honesto e de bons modos e costumes. Que otário, vejam vocês. Se ele soubesse da minha apreciação por orgias, sexo anal, oral, oro-vaginal e com outras proparoxítonas, o sujeito iria me botar pra correr.

Não sei se devo continuar com essa campanha. Conto com os sábios conselhos dos meus leitores e amigos.

Em segundo lugar, passei a sofrer do recente e surpreendente cu doce da Menina da Escada. Agendei com ela, na quarta-feira.uma trepada romântica pra esse sábado (hoje). Prometi beijar na boca, levar no cinema e ainda demorar pra gozar. Quer coisa melhor do que isso? De início, ela concordou.

Ocorre que, hoje, precisamente às 18:00 h, a morena (ela é meio fumê) resolveu mudar os planos. Queria que eu fosse na casa dela, conhecer os pais dela. Não queria sexo. Queria programa família e conversas assistindo "Zorra Total".

Calma lá, minha nega! Eu só dei uns beijinhos e umas poucas trepadas (não mais do que duas) e já virei namorado? Fiquei muito puto. Quase broxei. Até estou pensando em dar uma cancelada no programa e voltar ao tradicional e fabuloso programa pizza+puta, que sempre causou o deleite dos meus queridos leitores.

Se tudo der errado, vai rolar aquela punhetinha amiga e solitária das noites frias de sábado...