Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

2.8.03

Meu novo escritório



Eu tô pensando em mudar o endereço do meu escritório. Quero um lugar maior, mais imponente, com um grande sofá pra eu comer a estagiária após o expediente, como é praxe em nossa categoria.

Andei pesquisando uns prédios bons. Estou pra alugar um escri interessante. Até contei pra família, pra que me respeitem mais e não achem que sou o vagabundo que passa os fins de semana fora e geralmente é trazido pra casa por alguma drag queen que pretende ser a nova Rogéria.

Minha mãe, D. Mocinha, contou esse feito (não o da drag queen, o da mudança) para uma amiga.

A moça perguntou quanto é o aluguel. D. Mocinha teve a indiscrição de contar.

A amiga arregalou os olhos e berrou "mas tudo isso? No prédio onde meu marido trabalha, que também é no Centro, o aluguel é seis vezes mais barato".

D. Mamãe, dessa vez, não cometeu nova indiscrição. Ficou calada.

Não sabe a tal amiga que o prédio onde o seu esposo labora é habitado, quase em sua totalidade, por termas, puteiros e similares.

Eu não conseguiria trabalhar num ambiente desse. Ia acabar casando com uma das meninas ou contraindo algum novo tipo de gonorréia. Com toda certeza, iria me sentir em casa.

Mas meus clientes, na sua maioria, senhoras de idade avançada, iriam se escandalizar.

Acabariam encontrando aquela sua netinha que faz Comunicação na Facha.