Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

7.8.03

Carnês, vales e clientes pobres



Era nove e meia da noite. Nove e meia. Eu tava trabalhando em casa, e assistindo, ao mesmo tempo, uma reportagem do canal E! sobre um tal de Pee-Wee Herman, que era um comediante idiota que fazia o papel de um débil mental. Não tinha a menor graça, mas o documentário valia pela vida cheia de podres e pedofilia do rapaz. Sem falar no fato que ele é a cara do meu primo, o Sr. Baianinho (que por sinal, como a maioria da humanidade, não lê esse blog).

Onde eu estava? Ah, sim. Era nove e meia. Tinha esquecido o celular ligado. Não quero saber de cliente me pertuRbando à noite. Foda-se. Mas como desgraça pouca é bobagem, um infeliz acaba ligando. Era aquele péla-saco que eu acompanhei na delegacia durante 6 ou 7 horas (falei sobre esse incidente aqui, mas tô com preguiça de procurar o link).

O cara me ligou pra dizer que tava sem dinheiro e que não aparecia trabalho pra ele. E que eu cobrei muito caro. E que minha presença foi desnecessária, porque ele poderia fazer tudo sozinho, não precisava de um advogado. E que ele era formado em Oceonagrafia, e que, como oceanógrafo (!!) jamais cobrou tão caro quanto eu. E que tinha muitos amigos advogados.

Ouvi calmamente o infeliz. Minha vontade era de mandá-lo enfiar o seu honroso diploma de Oceonagrafia no rabo e que procurasse outro advogado. Grandes merda de procurar baleia! Vai catalogar peixinho lá na casa do caralho! Minha vontade é de dar um cuecão nesses zé-bundas.

Eu não justifico o meu trabalho. Não vou dizer "ah, fiz tanta coisa pra você!". Só disse que eu era advogado e que, mesmo se eu não fizesse nada, só o fato de estar ao lado dele, já era suficiente pra rolar uns honorários. E que eu não sou membro da Cruz Vermelha. Não trabalho por caridade.

Daí o babaca voltou atrás e disse "não foi bem assim. Eu quero que você seja meu advogado". Combinou que iria me pagar em parcelas.

Pobre adora um carnê.

Já vi tudo. A mulher deve ter colocado coisas na cabeça dele, pra "enfrentar o adevogado". Geralmente, quando se combina uma coisa com um cliente, e acontece algum revertério (!!) no que foi acordado, é a mulher que põe coisa na cabeça do infeliz pra criar confusão.

Por isso, eu adoro advogar pras vovozinhas de Copa. Elas enchem o saco, mas pagam em dia, te tratam como um príncipe e ainda mandam um bolinho de fubá.

Molhadinho, claro.