Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

11.8.03

Boletim de Ocorrência



Dia: Sexta-feira, 8 de agosto de 2003.
Local: Cobal do Humaitá
Horário: 16:00 h
Motivo: fazer hora para uma consulta médica ali perto.
Narrativa dos fatos: a lanchonete onde eu estava foi invadida por sete meninos de rua. Aterrorizaram as vovozinhas. Chegaram perto da minha pessoa, que estava elegantemente trajada com um terno preto de microfibra (3 cheques pré na Dartigny da Sete de Setembro). Pediram dinheiro com educação, me chamando de "dotô". É necessário notar que um dos infratores trajava a camisa cor-de-exu daquele time cujo maior ídolo perdeu um penalti decisivo numa Copa do Mundo. Começaram a gritar comigo. Um ameaçou puxar alguma coisa. Talvez fosse uma faca, ou pior, um pente Framengo. Calmamente, falei pra eles: "Aê, gurizada, tenho conhecimento na Providência. Sô cumpadi da Jura. Si tu ficá di bobêra cumigo, mando passá cerol ni tu e ni teus colega. Sai batido qui eu tenho contenção". A pirralhada arregalou o olho e evadiu do local. Não sobrou ninguém. As vovozinhas ficaram me olhando com cara de espanto. O dono da lanchonete não aceitou que eu pagasse. Acho que foi "taxa de proteção".
Realidade dos fatos: Jura é a minha empregada, que realmente mora no Morro da Providência. Embora tenha sua gangue de garçons, Jura é do bem. Quanto ao linguajar de meliante, aprendi no tempo em que advogava em lugares perdidos desse Estado. Jura soube do incidente e disse que "ih, si tu bobiá, meus conhecimento do morro ti defendi, puquê tu é sangue bão".
Sem mais a acrescentar, encerro o presente relato.