Contos do Adamastor

Estorias surreais de pessoas irreais, contadas por um advogado ranzinza, carente, gentil e docil como um pequeno sagui silvestre. Nao recomendado para minorias intelectuais ou pessoas que se ofendem facilmente. Email: adamastor-em-gmail.com (sim, eu tenho um email do Google. Isso porque eu sou um nerd influente e poderoso)

15.6.03

Continuando a incrível estorinha sobre o Dia dos Namorados



Pierre, aquele meu cliente mané, tem a felicidade de morar "defronte" a uma termas, ali quase em Ipanema.

Devo ressaltar e relembrar que Pierre é rico, babaca e carente, características que o tornam cliente assíduo e VIP desse antro de putaria.

É recebido com honras pelo segurança. Tem mesa cativa e ainda conhece e é conhecido por todas as meninas do lugar.

Sabe até o nome verdadeiro da maioria delas.

Abre parêntese:
é curioso conhecer o útero de alguém, mas não o seu nome de batismo. Coisas do mundo putístico.
Fecha parêntese


Ficamos na mesa VIP, conversando com as meninas.

Por mais feio que você seja, se estiver bem vestido, serás tratado como um rei pela putada. Dirão que você é charmoso, lindo, másculo e rirão de suas piadas cretinas. É como se fosse uma Matrix. No mundo real, você é incapaz de comer uma empregada doméstica nanica do Piauí, mas naquele mundo mágico, tudo parece real. Tudo parece dar certo.

Bastando ter dinheiro, bem entendido.

Conversei com Michele, uma loura nórdica, descedente de alemães (não me pergunte como uma loura nórdica possa ter descedência de alemães. Depois do segundo uísque, quem estava prestando atenção nela era o meu sofrido órgão sexual pulsante.) Ela me convenceu em morrer em 200 reais por uma transa de 1 hora, numa cabine ali do lugar. Ela disse que "fazia tudo".

Devo dizer que hoje em dia, "tudo" é relativo. Antigamente, "tudo" era um boquete. Depois, após o Crash da Bolsa de Nova Iorque, "tudo" era o intercurso normal. Hoje em dia, com a Internet, as revistas de sacanagem suecas e as sexólogas mal-comidas, esse conceito foi alargado, mas não tanto.

"Tudo" é sexo anal. Embora em grande parte dos lares brasileiros o sexo anal é praticado, até porque é forma de reprodução dos spammers (principalmente os manés da "Ordem Secreta dos Templários". Quem tem ordem secreta, na minha modesta opinião, é viado reprimido).

Michele topou ceder o brioco pela quantia supracitada. Mandei debitar na conta do Pierre que, como bom francês, tem péssimo gosto pra mulher, e pegou uma neguinha, que lembrava a Dona Jura, uns setecentos quilos mais magra.

Pierre queria juntar todo mundo e fazer uma suruba. Isso eu não faço. Fiz Primeira Comunhão e Crisma. Suruba é pecado. Pierre meneou a cabeça, mas entendeu meu dilema religioso.

Cada um pegou sua respectiva vadia e levou para uma cabine, que, posso dizer de antemão, era a única coisa "apertada" naquele lugar.

Continuo essa epopéia amanhã.